A participação portuguesa no Festival Eurovisão da Canção, nos últimos três anos medianamente bem sucedida e algo polvilhada de uns lances de sorte, com a passagem de Filipa Azevedo à final em 2010 como melhor exemplo disso, voltou ontem aos maus resultados. Os Homens da Luta não passaram à final, e nem o frenesim mediático impediu o desastre.

Uma apresentação pobre de uma música que para quem não é português não tem qualquer significado e um mau aproveitamento do factor de identificação que a música poderia alcançar junto de uma Europa descontente foram essenciais para o resultado alcançado.

No meio de um festival cada vez mais circense e cheio de hinos pop, como as bem sucedidas ‘Running Scared’ (Azerbeijão), ‘Coming Home’ (Islândia) e ‘In Love for a While’ (Suíça), Portugal perde mais uma boa hipótese, com as músicas ‘Em Nome do Amor’ ou mesmo ‘Tensão’, perdidas no meio da tabela classificativa do Festival da Canção a deixarem saudades aos fãs eurovisivos mais ferrenhos.

httpv://www.youtube.com/watch?v=-42P1YYk3m4

Eu percebo todos aqueles que consideraram a vitória dos Homens da Luta como um legítimo grito de revolta, mas não consigo aceitar que após quase 50 anos de participação no Eurofestival se continue com esta falta de arrojo e vontade de ganhar. E estes problemas partem única e somente da RTP, uma péssima organizadora das representações nacionais, já acusada por vários participantes de jogar contra si própria e resultados nacionais, como bem declaram vários elementos das delegações participantes em 2008 e 2010.

É muito simples, se o canal estatal não está disposto a trabalhar no sentido de ter representações minimamente honrosas para o país, é favor de dispensar o Festival para uma das televisões privadas, por mais que isso afecte as suas audiências.

Sim, porque a emissão da semi-final desta terça-feira foi líder no seu slot horário e alavancou a estação pública para a liderança no share diário, com 14% de audiência média e 38,5% de share, o que ajudou o Canal 1 a alcançar uma quota de mercado diária de 27,5%.

O nome que consta nos painéis de votação para toda a Europa ver é ‘Portugal’ e acho que todos começamos a ficar cansados de somar desaire após desaire, principalmente se tivermos assistido aos flops que têm sido os Festivais RTP da Canção, que para além de terem entre as suas finalistas algumas composições no mínimo ‘inimagináveis’, têm júris distritais que não conhecem, notoriamente, a realidade da Eurovisão.

Esta foi, mais uma vez, uma luta inglória. Ainda assim, agradecemos aos Homens da Luta, pois sabemos que fizeram o seu melhor e, verdadeiramente, pouco mais havia a fazer, devendo a componente de espectáculo ser da organização da RTP, responsável por apoiar e ‘artilhar’ da melhor maneira a canção escolhida pelos portugueses e pelo seu magnífico júri, de modo a esta conseguir bons resultados.