O Último a Sair é o novo programa de humor da RTP1. Segundo a própria estação, esta é uma série de ficção de 24 episódios, cujo conceito se baseia em reality shows. A cada semana será “expulso” um concorrente e o objectivo é recriar com o maior realismo possível as situações características deste tipo de formato, fazendo crer ao espectador que aquelas pessoas estão mesmo fechadas numa casa vigiada 24 h por dia.

O PROGRAMA DA SEMANA

O Último a Sair é uma ideia original e que tem tudo para resultar, o que na verdade não aconteceu em termos audiométricos (pelo menos nas duas primeiras emissões). A estreia do programa e o diário especial transmitido no dia seguinte não chegaram sequer aos 20% de share. Ainda assim, o sucesso de um programa não se vê só pelos números audiométricos. É certo que esse é o factor principal, mas existem outros aspectos em ter em conta. E nas redes sociais o Último a Sair já é um vencedor. Tem mais fãs do que os principais concorrentes de Domingo (Peso Pesado e  Perdidos na Tribo).

Até porque o público português, e são as audiências que o dizem, por vezes é um pouco estranho. É que a repetição da gala de estreia, que foi para o ar esta Quarta-feira, logo depois da semi-final do Festival Eurovisão da Canção, foi mais vista que a estreia inédita de Domingo. Apesar de ter registado apenas 7.7% de audiência e 20.1% de share, o resultado foi superior ao que habitualmente os programas da estação registam naquele horário. Este compacto foi o 8º programa mais visto de Quarta-feira, ficando à frente do Telejornal, que foi excepcionalmente emitido às 19h00.

httpv://www.youtube.com/watch?v=OSE4-6dZCis&feature=related

Bom, voltando ao conteúdo do programa, o Último a Sair já deu muito que falar nos últimos dias. É que o objectivo está a ser conseguido com bastante sucesso. Muitas das pessoas que assistiram às primeiras imagens do novo formato da RTP1 pensaram que tudo era realmente verdade. O que não deixa de ser curioso, uma vez que o exagero (propositado e bem conseguido) das acções de cada um dos actores, como a expulsão imediata de Marco Borges ao fim de 2 minutos, denuncia à partida o formato apresentado por Miguel Guilherme.

E o apresentador foi chamado durante a noite de Teresa ou Júlia pelos concorrentes, durante a gala, numa sátira total às apresentadoras habituais deste tipo de formatos. Ainda assim, Miguel Guilherme não esteve totalmente à vontade, mas foi-se soltando à medida que a gala ia passando. Talvez por ser a primeira vez que apresenta um programa de televisão, tudo estava muito forçado. Sabemos que esse era o objectivo do apresentador, gozar com quem dá a cara por este tipo de formatos, mas às vezes o que é demasiado exagerado perde parte da graça. Por outro lado, tivemos Luís Pereira de Sousa, o repórter especial, esteve também igual a si. A intervenção do repórter era tão caricata, que chegava a ter piada.

Em termos visuais e gráficos, nada a apontar. Genérico bastante bem construído, grafismo do programa original e moderno. Simpático, simples e eficaz. Quanto à casa, uma grande surpresa, dadas as dimensões e qualidade de mesma. Tendo em conta que este programa não é um reality-show de verdade, a casa é bastante boa, tão boa ou melhor que as casas do Big Brother ou de A Casa dos Segredos.

httpv://www.youtube.com/watch?v=WV3Eocj8hfA

A escolha dos concorrentes também foi feita de forma inteligente. Juntar na mesma casa Luciana Abreu, Batatinha, Bruno Nogueira, Roberto Leal e Rui Unas parece impensável… mas aqui tudo é possível!  Um grande destaque para o vídeo de apresentação de Bruno Nogueira antes de entrar para a casa. A apresentação do ‘seu mundo’ foi do melhor que já se viu. “A minha maior qualidade eu acho que é eu não ser pedófilo” porque “as crianças são o amanhã. Tirando em África, que são no máximo até Quinta“. Genial.

Dos primeiros momentos que já vimos, destaque para a expulsão de Marco, depois de agredir Bruno Nogueira por este lhe chamar bronco. Ou a reacção de Rui Unas ao fugir de Gabriela. E as paranóias de Gonçalo dentro da casa e a reacção do mesmo ao saber que teria de dormir com Roberto Leal . Ainda assim, penso que tendo em conta o horário em que o programa é emitido, 21h00, a linguagem usada poderia ter sido mais contida. E o teria sido mesmo necessário o actor andar totalmente nu pela casa?

Apesar de tudo, esperam-se momentos de boa disposição nas próximas emissões do programa, que ainda agora começou. Esta foi a primeira vez que  O Último a Sair está em análise no De 0 a 20, com a promessa de que em breve voltaremos a esmiuçar este programa que tem tudo para resultar. Genial, original e divertido! Só é pena não ter diários de Segunda a Sexta. Mas isso agora, não interessa nada… 18/20

A SEMANA QUE PASSOU

 

Depois da Vida – TVI (8/20)
Depois da vida, vem a morte e o programa da TVI está a entrar em fase terminal. Isto tudo porque a estação tentou, a todo o custo, matá-lo. E, praticamente, já conseguiu fazê-lo com repetições exaustivas de programas que deram há poucas semanas, algumas emissões a serem transmitidas pela 3ª vez em menos de 6 meses. Por isto tudo, a estreia da nova temporada do programa apresentado por Iva Domingues, não chegou aos 25% de share (longe dos mais de 40% que as primeiras temporadas atingiam). Uma (longa) pausa e depois um regresso era o necessário para o programa voltar em força. Agora não valerá muito a pena e os resultados nem devem subir muito nas próximas semanas.

Festival Eurovisão da Canção – RTP 1 (12/20)
Muito morno esta primeira semi-final do Festival da Eurovisão, o que é uma pena. O cenário é do melhor que já se viu, o grafismo é excelente. Mas o espectáculo da primeira semi-final foi muito pobre, nenhuma das músicas brilhou e as falhas técnicas por parte da RTP estragaram a noite a Sílvia Alberto e aos portugueses. E os Homens da Luta vieram para casa mais cedo. Enfim, pelo menos cumpriram o seu objectivo: foram à Alemanha mostrar que A Luta é Alegria.

O Dom – TVI (16/20)
Surpreendente. É a palavra que melhor define esta minissérie da TVI. É que a estação às vezes consegue surpreender os telespectadores. Já o tinha feito com Ele é Ela (numa vertente mais cómica), com 37 (num género policial) e agora com O Dom (no campo do suspense/terror). A qualidade de imagem é à americana e a realização é bastante boa. As boas interpretações (com alguns actores que por vezes são esquecidos em televisão) e a história cativante e surreal fazem com que esta seja uma das melhores séries que a TVI já produziu (só peca em alguns diálogos mais longos). Percebe-se assim a não-aposta num horário melhor: têm medo de arriscar. Preferem jogar pelo seguro e mostrar ao público aquilo que têm a certeza que resulta, as novelas. Por isso é que O Dom é emitido ao Sábado pelas 23:15(tal como as outras duas produções acima referidas foram transmitidas ao final de noite ao fim-de-semana). Ainda assim, aguenta-se bem nas audiências e tem passado sempre os 35% de share.