Encenado por Gonçalo AmorinO Jogador de Dostoiévski está desta feita em palco de 5 a 21 de Maio, no teatro S.Luiz, em Lisboa.

A peça assume uma configuração própria e pouco usada: é dividida em quatro episódios, cada um com a sua autonomia, mas agregados por uma narrativa comum. Assume o formato de série que é, segundo o encenador, actual na perspectiva da televisão mas não no teatro. Desta vez há a tentativa de levar o teatro para além dos pressupostos. Toda a encenação é, nas palavras dos seus responsáveis, feita de forma a fazer o espectador pensar sobre ela e intervir nela. Não simplesmente ficar sentado e esperar pelo acontecer das coisas. Exige-se a sua atenção e não o seu mero olhar.

Os quatro episódios assumem a temática do jogo de casino como central, como de resto no romance adaptado por Emília Costa com a participação do Clube de Leitura do teatro S.Luiz. Apesar do jogo ser o mote, nas palavras de Gonçalo Amorim, o peça é sobre todo o vício e a trama em que nos envolve.

É ainda uma peça que tem o factor tempo como ponto de grande importância. Os seus criadores dizem não pretender uma peça de época, nem moralizadora, em jeito de fábula, com uma moral a tirar. É apenas uma história que pelos seus contornos ganha alguma universalidade e intemporalidade. Além disto, o formato em que é apresentado (com cerca de quatro horas, se somados todos os episódios) permite alguma liberdade na encenação: deixa que se reproduzam momentos de suspensão e de aceleração em que, para o encenador, “nos deixamos absorver pela intriga”.

Em Roletemburgo, uma cidade imaginária na Alemanha, Alexei deixa-se entrar no vício do casino. Primeiro, entra a pedido do Polina, o seu amor intocável. Com o correr do tempo o vício aloja-se em Alexei e ele já não joga por amor, mas por necessidade. Em jogo, ao longo da trama, está ainda a subsistência da família de Polina, que depende da vida ou da morte de Baboulinka, uma velha avó que insiste em viver.

Nas palavras de Gonçalo Amorim, um dos motivos a destacar do romance de Dostoiévski é o ímpeto e a energia com que foi escrito. A necessidade de ser escrito por uma questão de sobrevivência do seu autor faz-se notar na força da narrativa. Transpor essa sensação de “caminhar na vertigem” é um dos objectivos da encenação. Para o encenador, “se há um fio condutor da narrativa, algo que liga as personagens, é essa necessidade de sobrevivência.”

A peça poderá ser vista no teatro S.Luiz, Quarta-feira, primeiro e segundo episódio, às 21h00; Quinta-feira, terceiro e quarto episódio, às 21h00; Sexta-feira, Domingo, todos os episódios, às 18h00.