Depois de 3 concertos completamente esgotados em 2009, Yann Tiersen regressou a Lisboa dia 5 deste mês para apresentar o mais recente álbum. Dust Lane, editado no final de 2010, aclama um artista para além do compositor de bandas sonoras.

Quem jantava pelo LX Factory teve oportunidade de encontrar Tiersen a passear descontraidamente pelo espaço. A escolha da sala para o concerto, SALA XL, levantou algumas dúvidas, confirmadas durante o espectáculo.

São portugueses, mas a pontualidade foi britânica. Os Lousy Guru foram responsáveis pela primeira parte do concerto. Desconhecidos para a maior parte do público que aguardava ansiosamente pelo artista principal, conquistaram boa parte da audiência que se viu rendida à variedade de sonoridades. Refrões fáceis de aprender e ritmos minimalistas que convidavam a uns passos de dança envergonhados levaram a que os mais interessados fossem procurar pelo nome da banda, incompreensivelmente dito pelos músicos.

As luzes voltam a acender, ouvem-se grunhidos de aprovação. Os mais ansiosos procuram um lugar mais perto do palco. As luzes voltam a apagar, Yann Tiersen entra em palco numa sala bem composta. Os muitos casais presentes juntam mais os corpos.

Sobe ao palco envergando uma t-shirt de Neu, banda alemã de rock industrial da década de 70 e 80. Poderia ter sido esta uma pista do que viria a ser o concerto.

Quem esperava naquele concerto ouvir os êxitos que compõem as bandas sonoras de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain e Adeus Lenine, decerto não saiu desiludido mas não viu os desejos realizados. O acordeão ficou em casa, mas o violino veio. Na bagagem vieram, também, coros falsos e temas a quatro vozes, dos quais só o baterista escapou. Electrónica pouco dançável, mas contagiante, e rasgos de corrosiva distorção roubaram tempo e atenção ao piano.

Um músico completo. Se alguns descobriram, naquela noite, um outro lado do artista, para os fãs mais dedicados foi o concerto da consagração. Pouco comunicativo, dirigiu-se apenas duas vezes ao público, agradecendo, antes do encore e na despedida.

Não foi um concerto memorável. Fica no ar a pergunta, quantos é que não chegaram a casa e se regozijaram com temas como Comptine d’un autre été ou Goodbye Lenin?

O Porto recebeu o artista este sábado, num Hard Club esgotado.

Setlist Lisboa

Countdown
Dustlane
Dark Stuff
Amy
Till the End
Wire
The Train
Ashes
Palestine
Fuck Me
Another Shore
——————-
The Trial
Le Quartier
Amelie

* Autora convidada: Rita Sousa Vieira

As fotos constantes desta crítica não são da autoria do Espalha-Factos e não pertencem, exclusivamente, ao concerto de Lisboa.