Confesso que, para mim, os romances têm de ter um toque muito especial para poder classificá-los como um bom filme. E por ‘’toque especial’’ entenda-se tudo menos uma falha que seja capaz de roubar a magia da história. A Última Noite, de Massy Tadjedin, foi um filme que acabou por pecar num pormenor, a meu ver, essencial.

A história de Joanna (Keira Knightley) e Michael (Sam Worthington), um casal um pouco disfuncional que vive em Nova Iorque, poderia ser uma história coesa e bonita. Uma história de um casal que se conhece nos tempos de faculdade e mais tarde decide dar o nó e ter uma vida estável e feliz. Mas essa estabilidade é quebrada quando, numa noite, ambos se sentem atraídos por outra pessoa. Por uma colega de trabalho, no caso de Michael, e por um amigo de longa data e um grande amor da sua vida, no caso de Joanna. A sua história de amor é então posta em causa e uma panóplia de dúvidas instala-se na vida do casal. E apenas têm cerca de 36 horas para decidir o rumo que vão tomar.

E assim se inicia uma história apaixonante. Uma história real e que retrata muito bem as particularidades das relações e, sobretudo, das pessoas. Desde o início do filme que encontramos semelhanças com a nossa vida actual e não necessariamente com relações amorosas. A realidade expressa-se em todos os pormenores e ângulos captados pela câmara. Desde as festas, a conversas, a tomadas de decisões, a rotinas. E achei que foi uma boa atitude por parte da realização, pois a ligação com o espectador fortifica-se.

À medida que o filme avança, a montagem das cenas torna-se ritmada. Saltitando entre a vida de Michael e Joanna, facilmente tiramos conclusões, apaixonamo-nos por personalidades, encantamo-nos com sítios, identificamo-nos com conversas. Ou seja, conseguimos de facto transportar a história para uma realidade próxima.

E mesmo eu, que não sou muito fã do trabalho da Keira Knightley, tenho que dar a mão à palmatória. A interpretação da actriz, para mim fantástica, atribuiu um compasso interessante a todo o enredo.

Neste filme, consigo encontrar várias particularidades que o tornam bom. A banda sonora estava óptima, a fotografia de cortar a respiração, os planos estavam muito bem concretizados, a sucessão de imagens semelhante a um interruptor que se liga e apaga constantemente… Tudo isto, sem dúvida, foi o que mais me atraiu. A história capta. E somos levados, inconscientemente, numa viagem também ao interior de cada um, onde desvendamos páginas do passado.

Mas, tal como disse no início, um romance tem que ter um toque especial. Apesar de ter gostado muito do filme e de aconselhar vivamente a todos os leitores, o final desiludiu-me. É certo que as imagens falam por si. Porém, na minha opinião, o ‘’toque’’ estaria aí mesmo. Nessa última cena, nesse mesmo cenário.

Não gostei do corte. Não seriam precisos muitos floreados para que a história acabasse no ponto certo. Não seria preciso muito mais tempo de filme (os cerca de 90 minutos funcionaram muito bem). Não seria preciso introduzir um pouco mais de drama. Bastaria uma frase. Uma expressão facial. Um gaguejar de uma das personagens. E este teria sido um excelente filme.

Nota: 7/10

 

Ficha Técnica

Título Original: Last Night

Intérpretes: Keira Knightley, Sam Worthington, Eva Mendes, Guillaume Canet, Griffin Dunne

Realização: Massy Tadjedin

Distribuido em Portugal por: ZON Lusomundo

Género: Romance

Duração: 1h30m | Origem: FRA/EUA, 2010