Começou pouco atraente o programa que reúne alguns dos maiores nomes da representação humorística nacional. Estado de Graça, a ser emitido ao momento todas as sextas feiras na RTP, é um formato composto por sketches intercalados com momentos que se pretendem de stand-up.

O primeiro programa pouco me agradou. Insípido nos textos, e desajustado nos cenários, ia deixando ao espectador pouca vontade de na semana seguinte se voltar a ligar ao canal público.

Porém, as emissões seguintes têm vindo a provar parcialmente o inverso. Digo “parcialmente” uma vez que os textos melhoraram mas os cenários mantêm-se entre os bem e os mal conseguidos – interiores reais e maus chromas, respectivamente.

Pela positiva, a referir as boas caracterizações que surgem esporadicamente, como a de Manuel Marques caricaturando Djalo e Maria Rueff caricaturando Bárbara Guimarães.

O elenco, como afirmei, é composto por parte da nata humorística nacional, continuando-se a destacar Maria Rueff, e, cada vez mais, Manuel Marques. Ambos fornecem arte a um programa que por vezes peca na captação de som e nos timings das rábulas.  A atriz Ana Bola, cingida a personagens da sua idade ou mais velhas, é  em definitivo lesada pela passagem do tempo. Joaquim Monchique é um elemento que enriquece cada quadro humorístico em que participa, mas é pouco inovador. Assim como Eduardo Maderia que continua ligado aos seus “tiques Cebola Mole” que servem uns e chateiam outros. Terá de se preocupar em inovar e evoluir , uma vez que já nos chega um Marco Horácio.

No que respeita aos “momentos que se pretendem de stand-up”, estes são, em absoluto, os pontos mais fracos e com menos Graça de todo este Estado. Uma leitura  incessante do teleponto (aparelho essencial em televisão mas que não deve ser notado quando está a ser usado), cria um distanciamento em relação ao telespectador e desvirtua qualquer piada que o texto possa ter. Tudo soa a forçado. Nestes momentos tenho dificuldade em dizer quem se destaca, mas possivelmente, Maria Rueff e Ana Bola , que, mesmo sendo notório que não se encontram na sua zona de conforto, cumprem o que têm a fazer.  Joaquim Monchique está com uma colocação de voz (muito) pouco confortável ao ouvido, além disto, acompanha cada frase com as mãos erguidas como se este tique tornasse mais claro o que diz. Madeira e Marques são idênticos mas também com pouco talento para esta função.

No que respeita a audiências notamos que em média o programa regista um share de 22.1% que é beneficiado por colar com a (geral) boa audiência do Telejornal. Contribuindo, em três dos quatro programas emitidos, para o resultado positivo da RTP nos dias em que foram para o ar. As idades que mais assistem estão na faixa etária entre os 65 e 74 anos, sendo o sexo feminino a preferir o programa. No que respeita à região do país, a que mais despende tempo com Estado de Graça é o interior, assim como é de referir a predominâcia da Classe D (ou seja, a população com menos posses económicas).

Resta saber se a evolução positiva se mantém nos nove programas que faltam. Faço votos para que sim.