O assassino com a máscara mais famosa das últimas duas décadas, o tão conhecido ghostface, está de volta ao cinema, depois de uma pausa de onze anos. Com ele, também Wes Craven regressa, lançando a expectativa de que Gritos 4 venha a revelar-se um novo sucesso. O realizador, distinguido principalmente pelo muito bem sucedido Pesadelo em Elm Street (1984), que será para sempre um clássico no cinema de terror, arrisca agora esta nova sequela de Gritos, depois de um bem conseguido Gritos (1996), e dos mais fracos Gritos 2 (1997) e Gritos 3 (2000).

O elenco principal, que se mantém desde 1996, regressa mais uma vez neste quarto filme e tal factor, aliado a uma tão grande espera, poderá augurar algo de bom. Mais uma vez, o público poderá rever a protagonista Sidney Prescott, o xerife Dewey e a jornalista Gale com as caras do costume. Quem segue esta saga continuará a identificar-se com as personagens e a torcer por elas. Wes Craven dá a conhecer um Gritos 4 muito melhor que os seus dois antecessores, e talvez, porque não dizer, ao nível do primeiro.

Desta vez, Sidney Prescott (Neve Campbell), agora autora de um livro de auto-ajuda, está de regresso à cidade de Woodsboro para uma última paragem na promoção do mesmo. Aí, reencontra o xerife Dewey (David Arquette) e a sua mulher, Gale (Courteney Cox), bem como a sua prima Jill (Emma Roberts) e Kate (Mary McDonnell), sua tia. Contudo, o regresso de Sidney traz também de volta o assassino da máscara branca e sucessivas mortes à cidade.

O argumento, novamente nas mãos de Kevin Williamson, vai na sequência daquilo a que já se está habituado em Gritos. Os clichés continuam muito presentes, mas o suspense está garantido e o mistério ficará por resolver até ao fim. A dupla Williamson/Craven faz um excelente trabalho no que toca ao final deste novo filme, que consegue surpreender.

Uma novidade é o humor, que vem reforçado. Para além de muitos sustos, o espectador irá também dar umas boas gargalhadas. O início de Gritos 4 é algo igualmente muito bem conseguido, podendo remeter para o género de um Scary Movie (mas dos bons), o espectador irá divertir-se com toda a certeza.

Neve Campbell, Courteney Cox e David Arquette estão de volta e, mais uma vez, não desiludem. Os onze anos passados notam-se principalmente em Courteney Cox, visivelmente mais velha, comparando-se com a Gale de Gritos 3. Contudo, a actriz continua deslumbrante e tem talvez um dos papéis mais interessantes neste Gritos 4.

Quanto ao resto do elenco, Hayden Panettiere, como Kirby Reed, Erik Knudsen, como Robbie Mercer, e Rory Culkin, na pele de Charlie Walker, têm prestações satisfatórias e interpretam personagens divertidas. Já Emma Roberts, a meu ver, desilude um pouco na pele de Jill, esperar-se-ia mais da actriz.

Outro ponto forte do filme é a banda sonora, que conta com diversos nomes, entre os quais os suecos The Sounds, a cantora norueguesa Ida Maria e o compositor Marco Beltrami (3:10 to Yuma, The Hurt Locker), que participou também na banda sonora dos restantes Gritos.

Se a saga terminar com este quarto filme, acabará em beleza, com uma qualidade muito superior aos dois anteriores, que muito deixaram a desejar. Com o génio Wes Craven a parecer voltar ao que já foi em tempos, Gritos 4 será mais um caso onde se poderá dizer que valeu a pena a espera.

7/10

Ficha Técnica:

Título original: Scream 4

Realizado por:  Wes Craven

Escrito por: Kevin Williamson

Elenco: Neve Campbell, Courteney Cox, David Arquette, Emma Roberts, Hayden Panettiere, Anna Paquim, Erik Knudsen, Rory Culkin, Nico Tortorella

Género: Thriller, Mistério, Terror

Duração: 111 minutos

Crítica escrita por: Inês Moreira Santos