É sempre bom relembrar os clássicos. As nossas histórias de crianças. O nosso conto de fadas preferido. Os que nos faziam rir ou chorar. E sabe sempre bem revê-los no grande ecrã. Dá-nos uma sensação de nostalgia, uma pequena ansiedade. E quando esse grande clássico da nossa infância serve de adaptação para um filme que tem grandes elementos para funcionar bem, as expectativas ficam ainda maiores.

Pois bem, A Rapariga do Capuz Vermelho serve-se, então, da História do Capuchinho Vermelho e tem, evidentemente, muita responsabilidade em cima dos ombros. Não que o Capuchinho Vermelho fosse a minha história preferida. Ainda assim, há que respeitar pelo menos, a sua moral.

O novo filme de Catherine Hardwicke conta-nos a história da menina que vai levar os doces à avozinha, mas numa versão moderna e diferente da original. Transformado num thriller, o filme retrata a vida de uma jovem, Valerie (Amanda Seyfried) que vive numa pequena aldeia medieval chamada Daggerhorn. Desde miúda que Valerie está apaixonada pelo seu melhor amigo, Peter (Shiloh Fernandez). Contudo, os seus pais Suzete (Virginia Madsen) e Cesaire (Billy Burke), querem que case com Henry (Max Irons), filho de um dos casais mais ricos da aldeia.

Mas Valerie e Peter pretendem fugir de Daggerhorn. Contudo, os seus planos falham. Na pequena aldeia medieval existe um lobisomem que ataca a cidade na altura da Lua de Sangue Vermelho. Quando o lobo mata a irmã mais velha de Valerie, Lucy, o objectivo dos moradores de Daggerhorn é, então, matar o lobisomem.

Posso dizer que o filme de Catherine Hardwicke, directora do Twilight, surpreendeu-me pela positiva. Ao início, fiquei sem respiração com todos os cenários e paisagens que, desde logo, nos levam numa viagem no tempo, não para a nossa infância, mas num imaginário do que seria a época medieval. E todos os pormenores dessa aldeia foram construídos minuciosamente, o que enriqueceu ainda mais o filme. Desde o vestuário das personagens aos ares do bosque, às cores dos cenários…

E quando a verdadeira acção começou, o meu olhar prendeu-se ao ecrã do início ao fim. A expectativa e curiosidade para saber quem era, afinal, o lobisomem, faziam com que a minha cabeça começasse a funcionar a mil à hora e tentasse arranjar imensas ligações com as personagens mais óbvias. A meio do filme, achei que já sabia quem era e pensei «não, não pode ser, este filme não pode ser previsível». E não foi. Rapidamente, Hardwicke conseguiu baralhar-me e mostrar um variado leque de possibilidades e, melhor que isso, todas encaixavam como uma luva. Foi aí que pensei que esta seria uma grande história.

Os traços gerais, apesar de marcantes, do Capuchinho Vermelho, deram um toque especial a todo o enredo que, quando chegou ao fim, deu-me uma sensação de dever cumprido e de expectativas totalmente superadas. Para além disso, os actores contribuíram grandemente para o sucesso deste thriller.

Mais uma vez, Amanda Seyfried soube encarnar muito bem a personagem principal e soube transmitir as energias certas, nos momentos certos. Há qualquer coisa de mágico na representação desta actriz. É ela que nos leva pela mão e nos permite invadir a tela gigante. É ela que nos dá os caminhos para nos orientarmos no filme.

Continuo a realçar, também, as filmagens e consequentes perspectivas que me davam a sensação de estar naquele mesmo ambiente, a viver as mesmas emoções. Quanto à banda sonora, achei-a brilhante e envolvente. Confesso que temia a sua má colocação, pois isso é o que basta para que o filme perca qualidade. Mas não. Não falhou e foi muito bem escolhida.

Para mim, este é um grande filme. Não excelente, mas muito bom. Quem espera encontrar a essência dos Irmãos Grimm desilude-se. O verdadeiro espírito do filme é «uma nova possibilidade de contar a história». Só assim, o espectador conseguirá encarar A Rapariga do Capuz Vermelho como um conto diferente do clássico, mas suficientemente bom para agradar a todos.

Nota: 8/10

Título Original: Red Riding Hood

Intérpretes: Gary Oldman, Amanda Seyfried, Lukas Haas, Virginia Madsen, Billy Burke, Michael Shanks

Realização: Catherine Hardwicke

Distribuído em Portugal por: Columbia Tristar Warner

Género: Fantasia/Mistério/Terror/Thriller

Duração: 1h40m | Origem: EUA, 2011