É o mais recente projecto levado a cena na Sala Vermelha do Teatro Aberto, todas as Quartas a Sábado às 21:30 e Domingos às 16:00, chama-se O Álbum de Família e promete emocionar e deixar em estado de reflexão todos aqueles que a ele assistirem.

 

A HISTÓRIA

Não podemos levá-lo. A viagem é muito longa”. O Álbum de Família é a história de uma viagem de procura do Eu do protagonista rumo à idade adulta. Situando-se no Portugal dos anos 60, esta é uma história sobre memórias e recordações, fantasias e sonhos.

É a história de uma luta entre o que flui e o que permanece inalterado, entre o álbum de fotografias que constrói o nosso passado e revela as nossas origens e o comboio que nos leva ao futuro. Uma luta entre ter de deixar a família ou manter-se agarrado aos laços afectivos e ao mundo que já se conhece. O dilema da separação.

Numa época em que poucos têm direito aos bilhetes para uma nova vida e perguntam uns aos outros “Tu tens os bilhetes?” e que sofrem porque “Não temos direito”, aqueles que os conseguem entram num dilema: abandonar os que se ama ou abandonarmos a nós mesmos? Uma crítica a um regime onde a educação chegava a poucos e que era encarada como um bilhete para a fuga a uma vida triste como a dos progenitores, marcada pela pobreza, e ao próprio regime e uma garantia para um futuro mais risonho.

Um choque entre a vida e a outra vida, entre o que existe, o que existirá e o que podia ter existido, onde nos braços das memórias se constrói uma vida, uma identidade.

A verdade, “Já a sabem. Todos a sabem”, é que na vida “Seguiremos juntos. Todos juntos”, construindo um álbum mesmo que à distância daqueles que connosco partilham as suas páginas. Quando a despedida é certa, um pedido se impõe: “Mandem fotografias para o álbum”.

O ELENCO

O Álbum de Família conta com um elenco com rostos bem conhecidos pelo público: Catarina Avelar, Catarina Wallenstein, Fernanda Neves, Jorge Corrula e José Eduardo são os actores que dão corpo e alma às várias personagens que desfilam nesta peça, com interpretações de peso, marcadas de emoção e sentimento, que puxam pelo lado mais profundo do espectador e o fazem viver os dramas desta família como se dela fizesse efectivamente parte.

O AUTOR

Nascido em Lisboa em 1972, Rui Herbon começou por dedicar-se à área das tecnologias de informação, tendo estudado Economia e Informação e Gestão. Em 2001, o autor decide fazer uma pausa para escrever o seu primeiro romance e, a partir de então, têm-se dedicado exclusivamente à escrita.

Da sua premiada obra fazem partes romances como Voar como os pássaros, Chorar com as nuvens – um filme português, Absinto – a inútil deambulação da escrita, Os Girassóis, O Romper das Ondas, o conto A Chave e a obra dramatúrgica Masoch.

Rui Herbon é ainda co-autor do blogue Jugular.

O ESPECTÁCULO

O espectáculo conta com a encenação de Tiago Torres da Silva, música de Pedro Jóia e com os figurinos evocando a década de 60 de Hilda Portela.

A música toma um papel central no espectáculo, explorando instrumentos como o piano, inserindo os clássicos que a rádio transmitia na época, aproveitando temas com carga ideológica, como o hino da Mocidade Portuguesa, e introduzindo ainda canções originais, cabendo aos autores a sua interpretação.

Um cenário minimalista marca o palco deste espectáculo. Da responsabilidade de Rui Francisco, o palco preenche-se apenas com algumas cadeiras que dão forma a uma casa prestes a ser demolida, a uma sala de espera e a um comboio. O cenário dito tradicional é ainda complementado por uma parte em vídeo, realizada por Aurélio Vasques, onde se inserem personagens e elementos que enriquecem toda a história.

Os bilhetes para o espectáculo, dirigido a um público maior de 12 anos, têm como preço o valor de 15 euros, havendo os descontos habituais para jovens, seniores e portadores do Cartão Teatro Aberto.

O PRÉMIO DA SPAUTORES/TEATRO ABERTO

O Álbum de Família foi distinguido com o Grande Prémio de Teatro Português da Sociedade Portuguesa de Autores / Teatro Aberto 2010, na oitava edição do mesmo, um concurso destinado a incentivar e divulgar a criação de dramaturgia portuguesa. Para além do valor pecuniário, do troféu e da edição da obra em livro, o texto vencedor vai ainda à cena do Teatro Aberto.

Os responsáveis pelo Prémio consideram-no “fundamental para o incentivo à criação dramática e da dinamização da cena teatral portuguesa, bem como da sua divulgação internacional”.