Os fãs de animação poderão vir a ter a oportunidade de assitir a alguns progressos a nível nacional, naquele que é um dos géneros mais populares do cinema.

O desenvolvimento desta área no universo cinematográfico português será possível graças a uma estratégia para a exploração do sector levada a cabo pelo movimento Caminhos para a Animação em Portugal, apresentada ao Instituto de Cinema e Audiovisual (ICA) na passada segunda-feira.

O documento, redigido sob a forma de carta, foi anunciado ao público na terça-feira, numa conferência de Imprensa inserida no Festival de animação MONSTRA, que arrancou na segunda-feira. Tendo em vista a sua expansão e visibilidade, a carta inclui a identificação dos principais obstáculos que têm vindo a condicionar o desempenho dos interessados em apostar na área.

Entre os principais entraves ao desenvolvimento do sector, aponta-se a incompetência do Fundo de Investimento do Cinema e Audiovisual (FICA) pelo incumprimento da distribuição dos investimentos prometidos em 2007. 2,5 Milhões de euros é o valor que o FICA devia ter distribuído para apoiar a produção de séries e longas-metragens em cinco anos. Perante a falta de recursos, produtores e realizadores mostraram-se revoltados com um organismo que o próprio Ministério da Cultura reconheceu como mal gerido. O único apoio ao sector de animação tem sido atribuído pelo ICA, no valor de 550 mil euros, mas que é viabilizado sobretudo para curtas – metragens.

No entanto, o potencial do sector é reconhecido a nível internacional, como demonstra o caso de José Miguel Ribeiro que, com A Suspeita (2000), ganhou o Cartoon d’Or (equivalente ao Óscar para animação europeia de autor) e outros 20 prémios. No início do ano passado, o realizador queixava-se de estar cansado de discutir os problemas do sector em «conversas de café» e alertava para a necessidade urgente dos profissionais meterem às mãos à obra no sentido de conseguirem mais apoios, mais divulgação e mais formação.

Diferentes profissionais da área juntaram-se então e, após longos debates e discussões, foi finalmente apresentado o produto de um trabalho dividido em três áreas fundamentais: financiamento, produção e visibilidade, e formação e associativismo. O resultado é uma carta que propõe uma articulação entre o financiamento e o trabalho de argumentistas, realizadores e animadores.

É sugerido um investimento de 30 milhões de euros no sector para os próximos 10 anos, destinados tanto a curtas como longas-metragens e séries. O argumentista Virgílio Almeida garante que com esta quantia será possível a produção de 100 curtas-metragens, cinco séries, duas longas-metragens e garantir ainda cooperar em 40 outras produções internacionais.

A par desta proposta, que é sem dúvida um primeiro passo para uma nova era da animação em Portugal, encontra-se em revisão a Lei do Cinema, que poderá incluir alterações que abonem a favor do pleno desenvolvimento desta área.