A associação para a promoção de música e dança Pédexumbo traz-nos de volta o Festival Andanças, este ano, de 1 a 7 de Agosto na aldeia de Carvalhais, S. Pedro do Sul.

O conceito do Andanças transporta o seu participante para a multiculturalidade, a dança e a música popular, a partilha de idiossincrasias de cada região que se faz representar, mas também para a interactividade, a aprendizagem, e tudo isto com uma forte vertente ecológica e de relação com a natureza.

Assume-se como um festival que “não se vem ver, vem-se fazer”. A prática daquilo que se vê fazer é uma constante no evento, desde o início do dia, com oficinas de aquecimento, concentração e meditação, à noite, onde se põe em prática em bailes aquilo que se aprendeu durante a tarde em aulas de danças de todo o mundo, precursão, pintura, expressão corporal, entre muitas outras. Porque a oferta é grande e os diversos ateliês acontecem quase simultaneamente – aquele que acorre ao festival é convidado a construir um festival à sua medida, elaborando um cartaz próprio com aquilo que quer ver, ou melhor, fazer.

A dança e a música populares são centrais no festival. É assim desde a sua génese, em 1996, quando se realizou em Évora e participaram cerca de 500 pessoas. O propósito era restaurar o baile popular, a interacção e convívio que este sempre possibilita. Hoje, na aldeia de Carvalhais, mesmo no Maciço da Gralheira, o festival tornou-se em culto para um nicho de população que vem não só do resto do país mas também de todo o mundo.

A missão continua a ser a mesma, mas mais amadurecida: a dança e a música como ponto central, mas com actividades paralelas que entre si se complementam e que têm sempre em vista o convívio e a transmissão de algo de próprio. Neste âmbito se encaixam as histórias contadas em torno de fogueiras, os ateliês de pintura, de construção de instrumentos tradicionais e de artesanato. Também na senda da particularidade e da sua comunicação, todos são convidados a trazer o seu instrumento musical e a participar com ele em momentos de música espontânea que surgem por todo a recinto, a qualquer instante.

Com cerca de 26000 visitantes na edição de 2010, o Andanças ergue-se maioritariamente graças aos princípios do voluntariado, sendo que, desde aquele que realiza as tarefas mais triviais, como o serviço de cantina ou a manutenção da limpeza do recinto, àquele que entra no cartaz de programação como banda ou instrutor de dança, nenhum deles é remunerado.

Num festival com estas dimensões, o impacto ambiental será sempre visível e, assim, este é outro dos objectivos da organização: reduzir a marca humana deixada no local após o evento. Para isso há iniciativas como o Zero Descartável, em que os utilizadores da cantina são convidados a trazer loiça reutilizável, substituindo a loiça descartável, com o incentivo de um desconto nas refeições. A própria localização do festival apelou a estas medidas. A Serra da Gralheira, para além de descentralizar geograficamente o acontecimento, providencia um contacto ímpar com a natureza e incentivou à criação de actividades de descoberta do local como caminhadas pela serra.

O nome do festival reúne em si dois conceitos chave: a dança e, de certa forma, a itinerância. Querem-se as tradições populares do mundo reunidas em Carvalhais.