Conhecido do público português, sobretudo através da sua personagem Charlie Harper na série Two and a Half Men ( Dois Homens e Meio), Charlie Sheen tem sido a nova coqueluche da imprensa sensacionalista internacional.

Na semana do anúncio do seu despedimento, o Espalha-Factos lança um pequeno olhar sobre a vida deste actor. Uma carreira em que o lado pessoal interfere no profissional, o que contribui para que Sheen se encontre em constante balanço entre o auge e o abismo.

 

O nascimento de uma estrela

Carlos Irwin Estevez nasceu a 3 de Setembro de 1965, sendo filho do também actor Martin Sheen (Apanha-me se Puderes; Apocalypse Now). A sua juventude fica marcada pela sua rápida ascensão e participação em grandes produções cinematográficas.

É no telefilme  The Execution of Private Slovik (1974) que Sheen faz a sua primeira aparição, ao lado do seu pai. No entanto, é ao protagonizar filmes de Oliver Stone, como Platoon (1986) e Wall Street (1987) que Sheen ganha grande notoriedade.

Em 1989, Oliver Stone convida Sheen para protagonizar a película Born in the Fourth of July (1989), mas acaba por entregar o papel a Tom Cruise, o que viria a manter o realizador e Charlie afastados até 2008.

Mesmo sem Stone, Sheen conhece o sucesso ao participar em filmes como Young Guns (1989) e Hot Shots (1991), películas que antecedem a sua primeira grande entrada no abismo.

 

O interromper de um ciclo

Drogas, sexo e álcool foram os grandes responsáveis pelos primeiros escândalos em torno de Charlie Sheen, tendo estado perto de falecer com uma overdose.

Nesta década, descobriu-se ainda que Sheen era cliente da gigantesca rede de prostituição de Heidi Fleiss, o que muito contribuiu para o seu julgamento em praça pública.

Durante esta fase menos positiva, o actor participou em pequenos sucessos cinematográficos, como The Arrival (1996).

 

O renascimento

Se a década de 90 foi para esquecer, o início do novo século será certamente aquilo que os maiores fãs de Sheen nunca esquecerão. É a televisão que dá a oportunidade ao comediante de se redimir junto ao seu público, quando é contratado para substituir Michael Fox na série Spin City (2000).

Embora a saída de Fox desta série leve a uma diminuição de audiências da mesma, o talento de Sheen é recompensado quando lhe é atribuído um Golden Globe Award para melhor actor de série de comédia, em 2002.

O talento do actor é também notado pela CBS, que o convida para protagonizar a série Two and a Half Man, onde interpreta um jovem compositor mulherengo que alberga o seu irmão Alan (Jon Cryer) e o seu sobrinho Jake (Angus T. Jones).

Ao participar neste série, Charlie Sheen torna-se no actor de série mais bem pago do mundo, ao receber 875.000 euros por episódio, valor que ainda viria a ser aumentado, em 2010, para 1.250.000 euros.

 

Em direcção ao abismo

Se bem que tenha atingido o auge, os vícios do actor americano voltaram a assombrá-lo. Em plena noite de Natal de 2009, é acusado de violência doméstica, pela sua esposa. Em 2010, Sheen é encontrado embriagado e despido, acompanhado por uma call-girl.

Há muito adorado pela imprensa cor-de-rosa, a sua presença nestas aumenta consideravelmente no início de 2011. Os seus constantes comportamentos levaram a produtora Warner Bros a decidir-se pela não continuidade da oitava temporada da série que Sheen protagonizava. As atitudes deste, desde então, pioraram a sua relação com o criador da série, sendo frequentes, nos últimos tempos, os comportamentos escandalosos, tendo até admitindo publicamente o consumo regular de drogas.

Na semana passada, a Warner Bros anunciou o despedimento de Sheen, que por sua vez processou a produtora e o criador da série.

Despedido, julgado em praça pública, consumidor assumido de drogas, o futuro não parece promissor para o actor norte-americano. No entanto, continua a usufruir de uma elevada popularidade, nomeadamente na internet e nas redes sociais.

A história de Charlie certamente não acabará por aqui. Fica a dúvida por onde seguirá: uma rota a caminho do abismo, ou a reconquista de um lugar no céu.