Adèle Blanc-Sec saltou dos quadradinhos para os ecrãs de cinema graças a Luc Besson. Depois de O 5º Elemento (1997) ou Vertigem Azul (1988), o realizador embarcou numa (ou, porque não dizer, em duas) das aventuras de Adèle. A banda desenhada, da autoria de Jacques Tardi, obteve grande sucesso a partir dos anos 70. Quanto a esta adaptação cinematográfica, parece-me que irá haver quem gosta muito e quem não gosta nada. O fantástico e o improvável aliam-se a um humor muito característico e o resultado é uma história divertida, que nos leva ao Egipto e a Paris, no início do século XX.

Adèle Blanc-Sec (Louise Bourgoin) é uma jovem jornalista que viaja até ao Egipto com o intuito de encontrar o túmulo do médico de Ramsés II e levá-lo para Paris. O seu objectivo é despertar a múmia para que, com os seus conhecimentos, esta possa curar a sua irmã gémea, Agathe, doente há cinco anos. Enquanto isso, a capital francesa depara-se com uma ameaça: no Museu de História Natural nasceu um pterodáctilo com 136 milhões de anos que anda à solta pela cidade. É entre estas duas aventuras fantásticas que Adèle se verá envolvida.

Louise Bourgoin está muito bem na pele da protagonista, e não se trata de um papel simples. Adèle Blanc-Sec tem uma personalidade muito forte. É uma mulher persistente, rebelde, irónica e de uma coragem invejável. Rapidamente o espectador ficará encantado com ela e, mesmo que não goste do filme, de Adèle não se esquecerá decerto. Quem também conquista facilmente a plateia é Andrej (“com j de jardim”) Zborowski. Interpretado por Nicolas Giraud, é um jovem de 23 anos, tímido, desajeitado e que nutre uma paixão platónica pela jornalista.

Neste filme, o humor é um dos pontos fortes e está muito bem conseguido. Por vezes mordaz, um pouco negro mesmo, mas que dá a As Múmias do Faraó: As Aventuras de Adèle Blanc-Sec um brilho especial. A cena final, por exemplo, quando a jornalista vai de férias, é excelente. Também os momentos de Adèle com as múmias, entre outros, estão muito bem conseguidos e demonstram tão bem como a ironia predomina nesta história. Ainda assim, há piadas um pouco desnecessárias.

E atenção, pois há mais alguns minutos de filme após os créditos. Cenas que, na minha opinião, poderiam (e deveriam) ter ficado de parte. O final, por si só, tinha tudo para ser em beleza, todavia, estas cenas pós-créditos vêm fazer diminuir o impacto que fora causado no espectador, que acaba por se perder.

A fotografia do filme, a cargo de Thierry Arbogast, bem como a banda sonora de Eric Serra, merecem especial destaque. O guarda-roupa e os cenários de inícios de século XX são fabulosos e são outro dos pontos fortes de As Múmias do Faraó: As Aventuras de Adèle Blanc-Sec.

A história em si é um pouco delirante, mas não deixa de ter interesse. Contudo, juntar múmias e dinossauros num mesmo filme pode não resultar da melhor forma. Seria melhor optar-se apenas por uma das histórias (pela das múmias, sem dúvida), já que, neste caso, nem uma nem outra acaba por ser explorada como deveria. Salta-se entre uma e outra e, de repente, o espectador dá por si a perguntar o que é que o pterodáctilo estará ali a fazer. Para esta confusão contribui ainda mais o facto de existirem demasiadas personagens que pouco (ou nada) acrescentam ao filme.

As Múmias do Faraó: As Aventuras de Adèle Blanc-Sec vale principalmente pela sua protagonista, pelas múmias e pelos belos momentos de humor. A história poderia ser mais bem trabalhada, mas não deixa de entreter. Os fãs de fantasia irão com certeza aprovar este filme de Luc Besson, mas todos, sem excepção, deixar-se-ão encantar pela aventureira Adèle.

7/10

Ficha Técnica:

Título original: Les Aventures Extraordinaires d’ Adèle Blanc-Sec

Realizado por:  Luc Besson

Escrito por: Luc Besson (argumento), Jacques Tardi (banda desenhada)

Elenco: Louise Bourgoin, Mathieu Amalric, Gilles Lellouche, Jean-Paul Rouve, Jacky Nercessian, Philippe Nahon, Nicolas Giraud, Laure de Clermont-Tonnerre

Género: Fantasia, Acção, Aventura

Duração: 107 minutos

Crítica escrita por: Inês Moreira Santos