Se hoje Tony de Matos ordenasse ao tempo que ao invés de voltar para trás, desse alguns passos até chegar ao presente, talvez não muitos anos, possivelmente as audiências da RTP1 no próximo dia 5 de Março, aquando a exibição de mais uma edição do Festival da Canção, atingiriam níveis elevados que fariam concorrência aos restantes canais de TV.

Se hoje a importância dada a este evento é relativa, no passado as famílias sentavam-se em frente ao arcaico televisor da altura e seguiam atentamente o desfile de temas musicais que a caixa mágica fazia surgir. Cada Festival era imperdível e os nomes sonantes de António Calvário, Simone de Oliveira, Carlos do Carmo, José Cid ou o fenómeno das Doce, entre muitos outros, andavam de boca em boca, discutindo-se de forma acesa a música merecedora de chegar à Eurovisão. Se de política era proibido falar, ao menos do patriotismo musical o país podia-se orgulhar.

Porém, os tempos áureos do Festival da Canção começariam a ver o seu fim por volta do término da década de 90 e inícios do ano 2000, com 2002 a surgir como o ano negro da história do Festival da Canção: Portugal não recebe convite da Eurovisão para levar a concurso o seu candidato. Os fracos resultados que os participantes vinham a arrecadar, as baixas audiências e a insuficiente votação do público que permitisse a participação a nível internacional, deram a sentença final ao Festival, e a RTP sentiu-se demovida a nem sequer realizar, nesse ano, aquele que teria sido um dos eventos musicais mais badalados do século XX em Portugal.

Com a não realização do Festival da Canção em 2002, nos anos que se seguiram, a própria RTP encarregou-se de eleger os participantes no concurso, numa tentativa de elevar a fasquia da qualidade e de promover o Festival, devolvendo-lhe assim a glória que tivera. Coube, então, ao público escolher entre três possibilidades, a música que desejaria ver cantada na Eurovisão. Em 2003, Rita Guerra foi a convidada do canal público, e as músicas a competirem entre si foram a vencedora Deixa-me sonhar, (só mais uma vez), Prazer no pecado em 2º lugar e em 3º Estes dias sem fim. Rita Guerra conseguiu o 22º lugar, situando-se entre a Estónia e a Eslovénia, na Eurovisão.

No ano em que completa a sua 40ª edição de Festival da Canção, é à OT que a RTP vai repescar os concorrentes do ano 2004. Foi magia, de Sofia Vitória, a música vencedora, a qual não passou da semi-final, ficando-se pelo 15º lugar. Finalmente, chegados a 2005 e depois do sucesso de Luciana Abreu no Ídolos, esta é nomeada pela RTP, juntamente com Rui Drummond, para constituir os 2B, banda formada especialmente para a Eurovisão. A música com o título Amar ficou-se pela Meia-final, não conseguindo passar à fase seguinte.