Entre os dias 15 e 17 de Abril, o Centro Cultural de Belém, em Lisboa, abre as portas aos já habituais Dias da Música, este ano subordinados ao tema Da Europa ao Novo Mundo (1883-1945). Os 65 concertos a ocorrer ao longo do fim-de-semana apresentam uma oferta variada e uma forte presença portuguesa.

A iniciativa inova, este ano, em primeiro lugar, por abrir com Paraísos Artificiais (1910), de Luís de Freitas Branco: trata-se da primeira vez que um compositor português actua no início dos Dias da Música do CCB. Seguem-se-lhe Rhapsody in Blue, de Gershwin, e a Sinfonia nº9, Do Novo Mundo, de Dvorák, interpretadas pela Filarmónica de Brno, que estreia assim em Lisboa, com a colaboração de Jorge Moyano como solista.

António Mega Ferreira, Presidente do Conselho de Administração do CCB, apresentou a edição de 2011 juntamente com Francisco Sassetti, Assessor para a Programação Musical. Mega Ferreira afirmou que o orçamento destes Dias da Música é de 650 mil euros, igual ao do ano passado, estimando-se cerca de 250 mil euros de receitas de patrocínios – dos 224 mil possíveis da receita de bilheteira, o presidente situa as suas expectativas entre os 180 e os 190 mil euros. Segundo o próprio, os bilhetes custarão mais cinquenta cêntimos do que em 2010.

Privilegia-se, nesta edição, a presença de algumas composições portuguesas, como afirmou Francisco Sassetti: “Procurámos que houvesse um equilíbrio entre os vários compositores e incluir várias obras portuguesas”. Assim, Freitas Branco abrirá um fim-de-semana no qual poderão ainda ser ouvidas músicas de António Fragoso, Armando José Fernandes, Vianna da Motta ou Joly Braga Santos. Mega Ferreira expressa também esta vontade de incluir no cartaz mais intérpretes nacionais: “É uma seleção apurada, não é a prata da casa, é o ouro da casa!”, afirmou na apresentação da iniciativa.

Composições em piano, a solo ou em duo, são as que têm uma maior presença no fim-de-semana, com a participação de Javier Perianes, Sergio Tiempo, Louis Lortie, Miguel Borges Coelho, Marta Zabaleta e Mário Laginha, entre outros. Os Quartetos Prazák e Brodsky destacam-se no âmbito da música de câmara, enquanto a Fábrica das Artes leva ao CCB o projecto Ma mère l’oye, numa junção dos contos de Perrault e da música de Ravel, com instrumentação de Nuno Côrte-Real. Poderão ouvir-se ainda obras de compositores como Kurt Weil, Rachmaninov, Stravinsky, Copland, Shostakovich, Mahler, Janacék, Manuel de Falla, Astor Piazzola e Heitor Villa-Lobos.

Queremos também desmistificar a ideia de que a música do século XX é difícil de ouvir”, referiu ainda Sassetti. 88 serão os compositores cujas obras serão ouvidas ao longo destes três dias, situadas cronologicamente entre a morte de Wagner (1883) e o final da II Guerra Mundial (1945). Quanto aos géneros musicais, os Dias da Música contemplarão um pouco de tudo, abrindo-se este ano a novos estilos: blues, jazz, tango, música para gamelão e ragtime, farão parte da programação.