Chama-se Banksy, está nomeado para um Óscar e é um grafitter/artista plástico. Persistente em manter o seu anonimato, o artista quer acomodar-se a esse mistério até mesmo na cerimónia dos Óscares da Academia, que se irá realizar amanhã no Kodak Theatre.

Banksy possui uma dimensão infinita de obras que são avaliadas em, pelo menos, 300 mil euros. Contudo, esse não é um motivo suficientemente forte para o grafitter revelar a sua identidade. Numa das poucas entrevistas que deu, via email, no ano passado, afirma que “pode parecer marketing, mas o anonimato é vital para o meu trabalho. Sem isso nunca conseguiria pintar”. Ao esconder-se do mundo, tem mais liberdade para desenhar o que lhe parecer mais apropriado sem nunca ter que justificar o motivo da sua arte. Talvez seja por isso que teme as câmaras de vigilância, pois contraria o ditado de «se não fizeste nada de mal, nada tens a esconder», atestando que todos têm alguma coisa que não querem revelar. No caso dele, é a cara.

Felizmente, os seus trabalhos estão um pouco por todo o lado e a sua arte alegra a vida da rua, dando-lhe mais cor. Recusa-se a expor as suas pinturas num museu devido ao ar artificial que lhe pode conferir, enquanto “na rua, a única concorrência é o pó”, declara.

Toda a sua criatividade está expressa no documentário Exit Through the Gift Shop, pelo qual Banksy é responsável. O filme foca um artista de rua, Thierry Guetta – nome artístico de Mr. Brainwash -, que leva sempre consigo uma câmara para filmar grafitters durante o seu processo criativo, mas tem uma particularidade diferente da de Banksy: revela a sua identidade. Nas palavras dele, “ele [Thierry] tem potencial de entretenimento”. Todavia, este documentário não teve grande receptividade por parte dos membros da comunidade do grafitter anónimo, que subvalorizaram o seu trabalho, contrastando com a opinião da Academia da Sétima Arte, que o considerou verdadeiramente bom e nomeou-o para o Óscar de Melhor Longa-metragem Documental.

Mas Banksy opõe-se aos clichés que a cerimónia da Sétima Arte exige, apesar de abrir uma excepção quando se trata de prémios para os quais está nomeado. No entanto, uma barreira que teima em não ser ultrapassada é colocada pelo próprio artista: Banksy só irá à cerimónia dos Óscares se puder ir disfarçado com uma máscara de macaco, extravagância que a Academia não aceita.

Bruce David, director executivo da Academia, em entrevista à Entertainment Week, confessa que a ideia do grafitter, por muito interessante e excêntrica que seja, é “preocupante, pois se o filme ganha e aparecem cinco pessoas com máscaras de macaco no palco a dizer ‘Banksy sou eu’, a quem é que damos [o prémio]?”.

A dúvida fica então no ar. Os seus trabalhos inspiram-se em temas fortes como o imperialismo, a guerra e o capitalismo. A sua crítica social é feita a braços com tintas, paredes e imaginação. E o resultado está bem à vista. Caracterizado como um niilista e anarquista, Banksy é conhecido em todo o mundo e as suas pinturas são cobiçadas por vários membros das classes sociais mais elevadas. Então, posto isto, será que vai desperdiçar a oportunidade de, amanhã à noite, dar uma cara ao seu já aclamado nome?