Voltar à infância para reflectir a idade adulta é o nos propõe a peça Azul Longe nas Colinas em cena na Sala Estúdio do Teatro Nacional D. Maria II até ao próximo dia 20 de Março.

A peça conta a história de um grupo de crianças de sete anos que têm por hábito brincar juntas num bosque perto de casa, em 1943, plena Segunda Guerra Mundial. O palco recebe as brincadeiras e os desejos destes meninos, que não são mais do que o reflexo da vida dos adultos que os rodeiam.

Albano Jerónimo, Bruno Nogueira, Dinarte Branco, Elsa Oliveira, Francisco Nascimento, Luísa Cruz e Nuno Nunes dão corpo e alma a estas crianças de outra época, mas que acabam por ser intemporais, e de uma densidade enorme.

A maior surpresa ao nível de representação poderá ser Bruno Nogueira, comummente ligado a uma vertente mais divertida e descontraída, que desta vez enverga por um registo mais dramático. O actor/humorista interpreta Donald, um menino excluído e cheio de medos que resultam do desaparecimento do seu pai, que acaba por ser uma vítima das brincadeiras (não muito) inocentes das restantes personagens.

Baseada na peça televisiva emitida pela BBC em 1979 escrita pelo dramaturgo inglês Dennis Potter, este espectáculo conta com Beatriz Batarda na encenação, tarefa que a actriz desempenha pela segunda vez.

Numa conversa informal realizada após o espectáculo de dia 20 de Fevereiro, no âmbito do Projecto TEIA, a encenadora contou que o seu mote para o trabalho desenvolvido com os actores foi “Todos somos gagos”, como forma de mostrar que continuamos a ser crianças repletas de medos que nos impedem de agir e de tomar as decisões mais correctas.

Confidenciou ainda que Potter deixou claro o seu desejo de serem adultos a representar o papel de crianças, o que contribui mais eficazmente para uma reflexão sobre a tendência humana para a violência.

Com os bilhetes fixados no valor de 12 euros, Azul Longe nas Colinas é uma excelente sugestão para uma noite (Quartas a Sábados às 21:45) ou tarde (Domingos às 16:15) diferentes e para uma reflexão sobre o que fomos, o que somos e o que queremos ser.