A telenovela da SIC em parceria com a TV GloboLaços de Sangue, no ar desde 13 de Setembro de 2010, tem sido um exemplo de que as produções nacionais ganham sempre com este tipo de associação, tanto em termos de qualidade do argumento e produção da novela, como a nível de audiências e receptividade por parte do público.

Escrita por Pedro Lopes e supervisionada por Aguinaldo Silva (autor de novelas de sucesso como Tieta ou Senhora do Destino), a trama conta com um elenco de actores portugueses e algumas participações especiais de actores brasileiros, tais como Susana Vieira e o namorado Sandro Pedroso, mas também Max Fercondini.

O resultado está à vista – audiências positivas e boa reacção por parte do público ao triângulo amoroso entre Diana (Joana Santos), Inês (Diana Chaves) e João (Diogo Morgado). Conta ainda com a participação especial de Virgílio Castelo no papel de Henrique, casado com Francisca Sobral (Emília Silvestre), os pais do protagonista João.

A novela conta a história de duas irmãs separadas quando eram ainda muito pequenas, devido à inveja que Marta (Joana Santos) sempre teve de Inês (Diana Chaves). A cena da pequena Marta a puxar a boneca da irmã Inês e a tentar à força tirar-lha e, consequentemente, a queda ao rio de ambas, é a imagem mote do início da novela.

Depois de se perder nas águas, Marta perde a sua família biológica e o seu nome, passa a ser Diana Silva, e é assim que a conhecemos na novela e que ela se dá a conhecer à família verdadeira, quando na idade adulta descobre ter sido adoptada por Graciete (Margarida Carpinteiro) e António (Pompeu José), o que deixa a vilã furiosa e desejosa de vingar tudo o que perdeu e que a irmã teve.

A verdade é que Diana não só quer (e consegue) aproximar-se da mãe Eunice (Lia Gama) e dos irmãos Inês e Tiago (Sisley Dias), como chega a empregar-se no restaurante M e além da competência profissional, mostra uma simpatia exacerbada que a torna amiga íntima da família.

A questão é que as intenções da vilã Diana são as de destruição e não de união… E não tarda disputar o amor de João (Diogo Morgado) com a irmã Inês. Tantas são as intrigas que acaba mesmo por se casar, porém João depressa entende que o seu coração sempre foi de Inês e Diana não passava de uma mulher fria, calculista e psicótica cujo objectivo de vida é infernizar a vida da irmã e tirar-lhe tudo o que pensa ser seu de direito.

Mostrar ódio entre irmãos é algo já recorrente em novelas portuguesas e estrangeiras, é a eternização do modelo Caim-Abel, mostrando sempre o lado do bem e do mal em luta, demonstrando o que pode acontecer às pessoas quando se deixam consumir pelo ódio.

O triângulo amoroso entre duas irmãs  e a tentativa de uma superar a outra é também recorrente em muitas novelas. Não considero este um tema muito inovador, pelo contrário, é até cliché e trivial… Porém, neste caso existe um quarto elemento, Ricardo (Carlos Vieira), um vilão tão traiçoeiro quanto Diana, com quem esta se envolve e constrói uma “dupla do mal” na novela, que funciona na sua cumplicidade e paixão corrosiva entre os dois personagens.

Para reduzir esta carga trágica da novela, nada melhor que o seu núcleo cómico, essencial para quebrar a aura de suspense e crime tão presente na trama. Personagens como Gi (Custódia Gallego) e Armando (João Ricardo), fazem as delícias de um público que goste de desanuviar e rir um pouco no seu serão. Também Sheila (Débora Ghira) e Marisa (Dânia Neto), as personagens que trabalham no mercado e que estão sempre na disputa de tudo e mais alguma coisa, fazem, juntamente com o grupo de amigos de Tremoço (Tomás Alves), Zé (João Baptista) e Liliana (Ana Guiomar), parte deste núcleo cómico.

São ainda abordados temas como o alcoolismo, o divórcio, a traição, a perda de familiares muito próximos, homicídio, roubo, entre outros. Uma novela completa, com o seu quê de drama, de romance e de comédia, que trata o ódio e de amor, a separação mas também mostra as várias recuperações, reconciliações e novas oportunidades que as personagens da trama vivenciam. Joana Santos, no papel de Diana é, sem dúvida, uma vilã competente, que se destaca nesta novela SIC/Globo com a sua boa e convincente interpretação, que já lhe terá garantido o passaporte para o elenco da novela Fina Estampa, a próxima aposta do horário nobre da Rede Globo.

A novela está, no geral, bem conseguida e as audiências foram bastante positivas quando comparadas com outros canais, apresentando valores equiparados à TVI, apesar de não a ultrapassar entre Setembro de 2010 e Janeiro de 2011. No mês de Setembro a SIC apresentava 21,4% de share contra os 37,9% da TVI, porém, em Janeiro deste ano valor aumentou para 30,2% aproximando-se dos 32% conseguidos pela TVI, principal concorrente.

Ainda assim, a novela subiu nas audiências e fala-se inclusivamente na internacionalização pela Europa, Ásia e América Latina, passando a chamar-se Blood Ties ou Lazos de Sangre, dependendo do destino. Um marco importantíssimo no panorama televisivo português.

Agora que a novela já se encontra na recta final, só nos resta aguardar um final feliz para João e Inês ou o triunfo de Diana e Ricardo, os vilões da trama… Qual destes será o desfecho?

* com Tiago Varzim.