Foi há precisamente uma semana atrás, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, numa bela noite de S. Valentim. Não foi a primeira vez que pisaram solo português, mas sem dúvida que esta nova visita ao nosso país teve um sabor ainda mais especial, com dois álbuns na bagagem e o marco histórico de último concerto da digressão europeia. Voltaram a cantar e a encantar Lisboa neste dia 14 de Fevereiro, espalhando o charme irlandês pela plateia. Falo obviamente de Danny, Glen e Mark, que constituem a banda The Script.

Os The Coronas abriram o concerto, cerca das 21 horas, como aquecimento para o grande espectáculo da noite. Trata-se de uma banda igualmente originária da Irlanda, que acompanhou os The Script na sua digressão. Os casais de namorados começaram a juntar-se junto ao palco, os camarotes a encher e, a pouco e pouco, a sala foi mostrando a evidência dos milhares de bilhetes esgotados.

Não entraram em glória, mas atingiram-na algures durante o espectáculo. You Won’t Feel a Thing foi a escolhida pelos The Script para abrir a actuação, também o primeiro tema do álbum que vieram apresentar, Science & Faith. É uma música bonita, sobre amor e protecção, uma das poucas que não falam de desgostos de amor, e por isso mesmo adequada ao dia em questão. Seguiu-se Talk You Down, num regresso ao primeiro disco, homónimo, música na qual se ouviu da boca do vocalista Danny a cidade “Lisboa”, provocando o delírio dos fãs. E depois a grandiosa We Cry, que todos conhecemos também.

Danny pergunta, entre os temas iniciais, se o público conhece o novo álbum, recebendo uma resposta unânime e efusiva por parte dos espectadores. Conhecemos e queremos ouvi-lo, está claro. Intercalando temas do primeiro e do segundo álbuns, baladas e músicas mais roqueiras, a banda foi agraciando os fãs com algumas canções que, apesar de pouco conhecidas do grande público, todos os presentes conheciam e cantaram com a alma. É assim que se vê a verdadeira aura de um concerto, digo eu. Assim e através da grande interacção com o público, não só por parte do vocalista como pelos restantes elementos da banda, nomeadamente o guitarrista Mark Sheenan.

A música prosseguiu com If You Come Back, Before The Worst e If You See Kay, que parecem mais do que simples canções escritas para se identificarem com o público. A alma das letras e dos instrumentais parece querer levar-nos a fechar os olhos e a sentir verdadeiramente a dor e a paixão sentidas pelos nossos amigos compositores e performers. Depois chega a bela e triste The End Where I Begin, que pessoalmente quase me fez derramar uma lágrima ali no meio da plateia. Mostra um desespero que dói de tal modo que traduz uma serenidade estranha e conformista. Ao olhar à volta, apercebi-me de que não era a única a balançar calmamente de um lado para o outro com a melodia.

O momento alto da noite, indiscutivelmente, foi o que podemos chamar de ‘falso início’ do primeiro single da banda, The Man Who Can’t Be Moved. Inicialmente cantada em uníssono com Danny O’Donoghue, a música acabou por se tornar propriedade dos presentes na sala, que se apoderaram do refrão e o cantaram alto e bom som para fazer sorrir os três elementos que se encontravam em cima do palco. No final da música, posteriormente cantada pelos The Script do início ao fim, Danny agradeceu ao público o momento que acabara de proporcionar, agradecendo também, no final do concerto, a dedicação dos portugueses.

O mais recente single da banda, Nothing, levou à confissão de um grande vício de Danny e dos irlandeses em geral: Mark contou ao público que “na Irlanda temos um código de conduta diferente do vosso. É assim: se beber, não use o telemóvel. É que nestas alturas, geralmente, temos tendência a ligar aos ex e já sabemos que isso pode acabar mal!”. A boa disposição e as gargalhadas aumentaram exponencialmente quando Danny bebeu uma cerveja portuguesa de pénalti, em palco, arrotando de seguida para o microfone. Intimidade com os fãs portugueses? Deu a entender que sim.

Pelo meio do concerto encontra-se ainda o tema I’m Yours, que aqueceu bem a noite. Trata-se de uma das baladas da banda, que teve um significado especial dado o dia que se comemorava. Os inúmeros casais presentes não hesitaram em demonstrar o seu amor enquanto Danny entoava os versos da canção; quanto aos que se encontravam sozinhos, sem par, o “I’m yours” de Danny, apontando para o público, foi mais do que suficiente para aquecer um bocadinho o coração. É sempre bom termos alguém a dizer-nos “I’m yours”, não é?

Rusty Halo termina, supostamente, o concerto, mas não a despedida dos The Script, que regressam ao palco para um encore de duas músicas. A primeira é uma das mais cantadas no momento: For The First Time. A segunda e última do espectáculo é Breakeven, uma vez mais demonstrativa de um desgosto amoroso que deixa o coração ‘dele’ despedaçado. Danny coloca a bandeira portuguesa aos ombros enquanto canta e se despede do público por esta noite. Até à próxima, todos pensámos, desejando que o desejo se cumprisse.

De destacar ainda a tentativa de Danny de falar português, perguntando “Ainda estão connosco?”. Não foi muito perceptível ao início, mas o “Are you still with us?” que se seguiu levou o público a gritar bem alto, como de resto se verificou ao longo de toda a hora e meia de concerto. Este podia ter durado mais alguns minutos, soube a pouco, mas ainda assim foi suficiente para entreter e colocar sorrisos nas bocas dos presentes. E para a banda registar o público numa fotografia, que mais tarde publicou no Twitter oficial.

Foi muito amor numa só noite, no palco e na plateia, e o amor é sempre bonito de se ver e ouvir. Danny O’Donoghue, Mark Sheehan e Glen Power souberam dar ao público o que este pedia, deixando-o a desejar por mais. Resta saber quando (e não se, repararam?) os The Script voltarão a Portugal para mais um concerto certinho e emocionante.