Sanctum – Claustrofobia em 3D

Depois de Avatar, o nome de James Cameron volta a surgir associado a uma nova experiência 3D. Sanctum poderia ter tudo para também se tornar um sucesso, mas não o será. O nome de Cameron, produtor executivo neste filme, é o responsável por toda a visibilidade que Sanctum está a conseguir alcançar. Posters e trailers destacam-no, deixando Alister Grierson (Kokoda), o realizador, para um plano secundário. Contudo, nem Cameron é capaz de salvar Sanctum do fracasso. Pouco mais para além do 3D, da fotografia e do facto de se tratar de um filme baseado em factos reais, é merecedor de mérito.

Sanctum conta a história de um grupo de mergulhadores que se encontra a explorar as grutas Esa-ala, na Papua Nova-Guiné. Surpreendidos por uma tempestade tropical, vêem-se encurralados e terão de travar uma dura batalha pela sobrevivência. O grupo é obrigado a seguir caminho por aquele labirinto subaquático nunca antes explorado, na tentativa de chegar ao mar e salvar-se.

Andrew Wight, um dos argumentistas de Sanctum, viveu uma situação semelhante à do filme, quando ficou preso numa gruta durante dois dias com outras 14 pessoas.

Dentro da história principal do filme, já por si um cliché, surgem outros, como é o caso da relação entre Frank (Richard Roxburgh), o líder da expedição, e Josh (Rhys Wakefield), o seu filho de 17 anos que o acompanha contrariado naquela aventura. Pai e filho não se dão bem mas, perante as dificuldades, vão se conhecendo e compreendendo. Nada de novo, portanto.

O argumento está já muito gasto e o filme é muito previsível, do início ao fim. Ainda assim, há que elogiar a direcção de fotografia e o 3D, bem como todas as sensações que este consegue intensificar e despoletar no espectador no decorrer da história. Enquanto as personagens mergulham nas profundezas ou escalam os locais mais assombrosos, o ambiente para quem assiste é cada vez mais claustrofóbico e perturbador. Também o espectador se vê perdido nas grutas, entre as passagens estreitas e vai sentir que falta o ar na sala de cinema. É esse um dos pontos fortes do filme, esse efeito que sem o 3D se poderia perder. E é importante salientar que não sou grande adepta desta tecnologia. Neste filme, considero-a desnecessária em todas as cenas filmadas no exterior da gruta, por exemplo. Todavia, lá dentro, bem como em todas as cenas debaixo de água o 3D resulta bem, pelos motivos que apontei.

Os cenários são extraordinários e qualquer um fica boquiaberto com as imagens que se vêm do helicóptero no inicio do filme ou as subaquáticas. Já o elenco não merece grande destaque. Os actores fazem o seu papel, mas não há interpretações fabulosas. Verdade seja dita, as personagens também não ajudam. A meu ver, apenas Richard Roxburgh (Moulin Rouge) tem um desempenho um pouco superior, na pele do protagonista Frank.

Esta é mais uma história de sobrevivência, já tantas vezes vista, onde o lema é “nunca desistir”. Vale pelos efeitos visuais e pela claustrofobia que tão bem consegue transportar para quem vê.

5/10


Ficha Técnica:

Título original: Sanctum

Realizado por: Alister Grierson

Escrito por: John Garvin (screenplay) e Andrew Wight (screenplay / story)

Elenco: Richard Roxburgh, Ioan Gruffudd, Rhys Wakefield e Alice Parkinson

Género: Acção, Aventura, Drama, Thriller

Duração: 109 minutos

Crítica escrita por: Inês Moreira Santos

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