É com potencial e alguma originalidade que Cometa, uma das propostas românticas para o fim de semana de S. Valentim, chega hoje a Portugal.

A história é protagonizada por DellKimberly e passa-se num universo paralelo. O seu relacionamento é retratado ao longo de vários episódios vividos pelo casal, desde as suas discussões aos dias de perfeita harmonia, de uma forma não-linear.

Esta estreia de Sam Esmail na realização evidencia uma peculiar originalidade por parte do cineasta. É notória a quantidade de ideais visuais que quer aplicar, desde planos minimamente radicais a interessantes jogos de luz e cor, e o argumento, assinado igualmente por ele, evidencia um inteligente sentido de humor onde várias referências à cultura pop se intrometem em diálogos sarcásticos à la Woody Allen. Há ainda por vezes um tom poético bastante bonito numa ou noutra fala das personagens com uma boa e adequada banda-sonora de fundo, o que faz com que a relação de Dell e Kimberly seja sempre agradável de acompanhar.

O argumento não seria o mesmo se não fossem Justin Long e Emmy Rossum a darem-lhe vida. O par apresenta uma boa química e cada um consegue ir dando um ar caraterístico a cada uma das suas personagens. E tendo em conta o quão clichés são as ditas histórias de amor no grande ecrã da atualidade e a banalidade com que os seus intérpretes os encarnam, é sempre bom ver que ainda há duplas capazes de oferecer um romance digno desse nome.

Mesmo na construção da narrativa há que louvar a decisão de “baralhar” as várias vivências do casal e dispô-las quase em formato puzzle, tornando o acompanhar da história mais desafiante que a maioria das fitas românticas. Contudo, parte do problema de Cometa começa precisamente aqui, na não-linearidade do enredo. Nos primeiros minutos ainda é preciso fazer algumas tentativas para juntar as peças e compreender a ordem cronológica dos acontecimentos, mas a meio do filme já se percebe bem que a cena X vem a seguir à cena Y e por aí adiante.

Não que isto seja um dos seus pontos fracos. Seria quase impossível esperar que o efeito puzzle se mantivesse até ao final. Mas, ao que parece, Esmail não se apercebe de que na segunda metade da sua obra já todos (ou pelos menos quase todos) sabem a ordem das coisas e por isso continua a investir em plot twists, em vez de avançar realmente com a história. Cometa entra então numa espécie de “rotunda narrativa”, andando às voltas sem saber bem em que altura deve tentar arranjar uma saída para as peripécias que cria. E, como consequência, o filme torna-se aborrecido e, por muito tempo, parece que nada acontece.

É, portanto, triste ver toda a criatividade inicial do realizador a ir pelo cano a baixo. Até a nível visual o filme torna-se cansativo devido aos terríveis efeitos especiais (com direito a uns irritantes lans flares e tudo) e a outros pequenos detalhes que fazem com que Cometa se vá aproximando da qualidade de um vídeo do YouTube. De início até parecia que o óbvio blue screen e o básico CGI serviriam para dar um estilo próprio à fita ou para, pelo menos, dar a ideia de que toda a ação se passa no tal universo paralelo referido no prólogo. Mas cedo se percebe que tudo se trata de um baixo orçamento (ou assim queremos acreditar) que transforma algumas cenas em horríveis imagens.

Cometa não é, por isso, algo memorável, e considerando aquilo que prometia nos minutos inicias e na própria premissa, deixa muito a desejar. Talvez quando Sam Esmail conseguir limar algumas arestas no seu processo de criação e arranjar um orçamento digno valha a pena voltar a pegar nestas personagens e no seu romance e dar-lhes aquilo que merecem. Até porque é percetível que, por entre aqueles miseráveis efeitos de computador, se esconde um talento interessante de acompanhar.

5/10

Ficha Técnica:

Título Original: Comet

Realizador: Sam Esmail

Argumento: Sam Esmail

Elenco: Justin Long e Emmy Rossum

Género: Romance

Duração: 91 minutos