Autómata: a ficção científica entra em 2015 com o pé esquerdo

Autómata: a ficção científica entra em 2015 com o pé esquerdo

O primeiro filme de ficção científica do ano chega hoje às salas portuguesas. Autómata tem como base uma história com condições para tornar-se numa obra interessante mas o vazio do seu conteúdo torna-a numa experiência pobre e desaconselhável.

A história decorre em 2044 e segue Jacq Vaucan (Antonio Banderas), um agente da ROC Robotics Corporation que é encarregue de investigar uma suspeita de que os robôs que ajudam os humanos estão a quebrar os seus protocolos.

Ao contrário de alguns dos incontáveis filmes que se focam no assunto da dependência dos humanos na tecnologia e de todos os outros debates que desta assunto advêm, Autómata não quer (ou, pelo menos, não parece ser essa a sua intenção) entrar numa discussão do tema, pondo de parte muitas “armas” que algumas obras utilizam para construir um olhar sobre a relação Homem/robôs. Não se colocam questões políticas nem se tece uma crítica à sociedade contemporânea, estando o argumento muito mais apontado às vivências das personagens do que propriamente no ambiente que as envolve.

É claro que num ou noutro ponto do argumento há pequenas críticas, como quando conhecemos Cleo, a robô prostituta (sim, leram bem, prostituta), que, com o seu diálogo inicial e o catálogo de posições que ela oferece, serve de exemplo máximo da nossa dependência da tecnologia. De resto, Autómata é pouco ambicioso neste aspeto de querer levantar debates sobre o tópico já referido (e se os quer levantar, então falha redondamente) e há que olhá-lo como um filme “inofensivo”, que quer apenas contar uma história simples e apresentar uma visão futurista do planeta Terra.

Mesmo assim o filme não consegue sair da sua mediocridade. O seu tom monótono e um enorme conjunto de personagens inúteis, desinteressantes e mal construídas faz com que a narrativa da fita seja muito pouco cativante. Isto para não falar na fraqueza do argumento e em algumas más performances por parte do elenco, que só ajudam a desaproveitar um enredo à partida com potencial, não pela sua originalidade (algo muito difícil de encontrar aqui) mas pelo entretenimento que poderia proporcionar.

A verdade é que, para filme de ficção científica, falta a Autómata tudo o que o público gosta no género: grandes cenas de ação, umas quantas bugigangas hi-tech, o desenvolvimento de algumas teorias científicas pouco exploradas, etc. Nas quase duas horas em que decorrem, ou melhor, se arrastam os acontecimentos do filme, não se veem episódios muito mexidos (a tal monotonia da narrativa também não ajuda) e a grande quantidade de clichés não possibilita que a imaginação dos criadores vá além de recriar cenários e objetos que parecem saídos de outros filmes.

Basta olhar para a cidade onde Jacq Vaucan vive, uma cópia barata da metrópole de Blade Runner, ou para os robôs que parecem ser filhos do Extreminador Implacável e dos personagens robóticos de Eu, Robot. As boas paisagens, filmadas quase sempre sem blue screen, pediam mais, e Antonio Banderas, que contracena na maior parte do tempo com não-humanos, pedia melhores companheiros em cena. O realizador Gabe Ibáñez até tem um bom sentido de estética, criando por vezes imagens interessantes, mas o problema é que não as consegue aliar a uma boa história. Esta torna-se desinteressante e, por vezes, confusa, com muitos plot holes e alguns pontos sem qualquer sentido.

Autómata é um começo em falso da ficção científica neste ano de 2015. Não oferece nada de novo ao género mas também não tenta compensar esta sua falta de ambição, faltando-lhe uma história apelativa e um sentido de entretenimento capaz de prender os espectadores. Sem dúvida umas das obras mais descartáveis dos últimos tempos.

3/10

Ficha Técnica:

Título: Automata

Realizador: Gabe Ibáñez

Argumento: Gabe IbáñezIgor Legarreta e Javier Sánchez Donate

Elenco: Antonio Banderas, Birgitte Hjort Sørensen, Dylan McDermott, Melanie Griffith, Robert Forster

Género: Ficção Científica

Duração: 110 minutos

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