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EDP Beach Party. Uma chuva de drops agressivos

A festa da Rádio Nova Era totalmente dedicada à música eletrónica foi uma chuva de drops agressivos. Os milhares que lá estiveram testemunharam isso mesmo: as gotas no início, que se tornaram chuva ia já avançada a noite, e os drops agressivos que acompanharam os vários sets desta beach party. Uma nova era da EDM (Eletronic Dance Music)?

Depois de lutar contra o trânsito, a falta de transportes, o mau tempo e a ansiedade dos milhares que tentavam chegar a Matosinhos, o Espalha-Factos lá entrou na Praia do Aterro. Em palco estavam já as Nervo, o primeiro dos principais nomes da noite. A dupla de DJ’s feminina apostou forte na interação com o público, mas esqueceu-se de caprichar mais o set que trouxe a Portugal. Longe de inovarem, as Nervo brindaram-nos com alguns dos habituais hits como I Love It ou Eat Sleep Rave Repeat, agradando assim a muitos dos presentes.

No meio da multidão via-se um barco insuflável, muitas luzes com o patrocínio da EDP, várias bandeiras de países, e pessoas de todas as idades. E as Nervo não se esqueceram do público, tendo até falado em português (ou espanhol, vá, uma vez que ouvimos um ‘sienteeeem’). Interagiram constantemente com quem tinham à frente, sendo este um dos grandes pontos a seu favor. Depois de Everybody Raise Your Head, de Alesso, e mais algum tempo entre drops e batidas que nos causaram mixed feelings, as Nervo despediram-se de Portugal às 21h40 com uma atuação agridoce.

A transição entre os artistas ficou a cargo de uns MCs portugueses monocórdicos e de um DJ de serviço que passava os hits do momento. Enquanto Dimitri Vegas & Like Mike não entravam, o Espalha-Factos aproveitou para absorver o ambiente desta festa. Resumindo: muita areia nos pés, alguns pedidos para tirar fotos (o Instagram ou o Facebook tinham de ser alimentados) e até um “isto para os gajos é muito mais fácil” se ouviu perto dos WC’s.

De volta ao palco – e longe das distrações do recinto -, às 21h50 mais uma dupla pisava o solo da Nova Era Beach Party: Dimitri Vegas & Like Mike romperam palco a dentro com a perspetiva de dar uma grande festa. De facto, o género Big Room House dominou o set dos dois irmãos, mas não chegou para tornar esta beach party numa rave. A dupla de DJ’s foi bastante previsível e até na interação com o público falhou. Ouviu-se I Need Your Love, Stay The Night e a  Miracle de Wolfpack ft. Coco, num remix de Dimitri Vegas & Like Mike que foi tudo menos um milagre. Nem o fogo ou os poucos efeitos especiais e de luzes do palco salvaram o set. Às 23h00 a dupla despedia-se, mas o público não pareceu importar-se. Vinha aí Kura.

23h10. O português que é amigo de Hardwell toma conta da mesa de mistura. Hey Brother, Rather Be, Sweet Dreams (Are Made Of This), Reload e uma piada no meio do set (but first… – let me take a selfie – shut up) começaram a atuação, que viria a ser mais agressiva do que o esperado. Kura apostou nos drops fortes – e nada contra -, isto se não estivesse constantemente a apostar no mesmo. Ainda assim, o português não desiludiu. Puxou o trap com Dark Horse, um pouco de rock com Numb, e meteu todos contentes com Pursuit of Hapiness. O set de Kura foi uma mistura entre momentos agressivos e os hits do momento. Pode-se dizer que o saldo foi positivo. A finalizar: You’ve Got The Love, Spaceman, Summer e Titanium. Estava assim fechado o set de Kura, que durou até às 00h40.

Seguiu-se Thomas Gold, talvez o nome menos conhecido dos cabeças de cartaz, pelo menos em Portugal. O DJ continuou o legado deixado por Kura: não se diferenciou, a não ser por breves momentos, tendo pautado o seu set com batidas mais pesadas misturadas com vários hits. Ouviu-se a inesperada Music, de Madonna, e as habituais Sweet Nothing, de Florence, I Need Your Love e If I Lose Myself. Pelo meio ainda nos surpreendeu com o ouro de Bounce Generation (TJR & VINAI), Anywhere For You (John Martin), City Of Dreams (Alesso), We’ll Be Coming Back (Calvin Harris), mas foi Clarity de Zedd ft Foxes, a terminar, que mais nos agradou, apesar da breve referência.

Às 2h00 já era Dannic quem tomava conta do palco. O discípulo de Hardwell foi na linha dos DJ’s a que sucedeu. Ainda assim, foi possível ouvir reggae (adequado para o cheiro que por vezes se sentiu!) e para alguns desvios às habituais músicas: Move It 2 The Drum de Chuckie & Hardwell ft. Ambush, You de Galantis e até a Heads Will Roll que, apesar de ser uma constante nos sets, deu ritmo a uma noite que foi invadida pelos drops agressivos (e excessivos). Dannic soube fazer com que o público Stay High com a música, remexendo até em old hits que fazem sempre bem à alma, como One More Time (Daft Punk).

3h30. Tempo para a última atuação, marinada com uma chuva cada vez mais forte. O fumo branco anuncia os mais do que esperados Showtek. Porém, o começo com Do It Like That (MEM) anunciava sim que o último set do Nova Era Beach Party não seria muito diferente da linha ‘editorial’ que tinha sido seguida naquela noite. Assim, o fumo branco não anunciava uma boa nova, infelizmente. Tanto que até se ouviu pela milésima vez a I Love It, das sem culpa Icona Pop, que nos deixou a odiar um pouco que as suecas tivessem feito este hit. Contudo, os Showtek tinham consigo um trunfo: a interação com o público que restava foi mais forte, com um deles a ‘puxar’ e, assim, a tornar o set mais likeable. How We Do (em parceria com o melhor DJ do mundo, Hardwell) relembrou como os Showtek são excelentes em estúdio e a compor as músicas que os fizeram conhecidos. Boyaah e a presença de Sonny Wilson fecharam a noite já bastante chuvosa e com menos público do que desejado para o grande final.

Uma beach party que meteu água, certamente, mas ainda assim não nos fez arrepender de ter seguido rumo até Matosinhos.