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Paixões Unidas: a paixão pela boa imagem da FIFA

Quando a FIFA quer promover a sua imagem sabe o que tem de fazer: um filme. United Passions, uma produção francesa (ou da FIFA?), é isso. Dos 19 milhões de dólares necessários para fazer o filme, 16 vieram dos cofres da FIFA. Serão Blatter, Rimet e Havelange os visionários e os heróis retratados em Paixões Unidas, o título do filme em Portugal? Ironicamente, o Espalha-Factos visualizou este filme num estádio de futebol e conta-te agora de que é feita a película que estreia hoje nos cinemas portugueses.

O nosso desporto tem um futuro brilhante pela frente” – a profecia feita no início desta jornada pelos ‘visionários’ deste projeto ambicioso viria a corresponder às expectativas. O futebol – principalmente na Europa – é hoje o desporto-rei, como tão bem gostam os media de o apelidar. E nada melhor do que aproveitar o Mundial 2014 para tornar United Passions na haste do futebol mundial.

A 21 de maio de 1904, a Fédération Internationale de Football Association (FIFA) nascia em Paris. Atualmente, a FIFA detém 209 associações nacionais de futebol e está sediada em Zurique. Não dita as regras dentro das quatro linhas, mas tudo o que contorna o mundo do futebol parece estar nas mãos da atual FIFA.

Porém, de quem foi a ideia? Quem se opôs? O que levou um grupo de jovens entusiásticos pelo ‘jogo da bola’ a constituir uma federação? De 1904 para 2014, 110 anos depois, o filme Paixões Unidas tenta responder a estas questões à medida que dá um passeio pela cronologia da história do futebol na Europa, e no mundo.

United Passions

United Passions mistura a ascensão do futebol no mundo mediático com os jogos de bastidores num cenário antigo ainda regido por uma outra sociedade (do esquizofrénico século XX). Paixões Unidas recorre à emoção desta modalidade, à inspiração e à memória coletiva para fazer deste um filme épico onde os fanáticos de futebol vão beber fé.

No entanto, este drama de 110 minutos não passa de uma lavagem da imagem da FIFA – deteriorada ao longo dos anos – com o apelo à paixão por um desporto que deixou de ser só isso – um desporto – para ser um negócio de milionários. “Nenhum jogo de futebol vale a vida de um homem“, ouve-se no filme. Contudo, ao longo dos anos fomos sendo bombardeados pela imprensa com evidências que mostram não uma FIFA homicida, mas uma FIFA que é tudo menos inocente.

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É na interpretação e na realização que United Passions vence. O realizador Frédéric Auburtin não deixa de nos brindar com os movimentos rápidos e ágeis desta modalidade, levando-nos mais rapidamente a simpatizar com o mundo dos dribles, das fintas, das bolas de ouro, e das bolas de pano. Nada melhor do que França (e um pouco do Brasil) para ser o pano de fundo desta trama.

De realçar o trabalho de Gérard Depardieu (Jules Rimet), o melhor do elenco, que nos deixou extasiados com a sua vibrante representação. Sam Neill (Joao Havelange) e Tim Roth (Sepp Blatter) cumpriram, mas foi Depardieu quem sobressaiu nos diálogos de conspiração e no vibrar pelos resultados dos jogos. Acompanhados por uma banda sonora que nos levou diretamente para os ambientes recriados no filme, os três atores retrataram sem cair no abismo da opinião generalizada três figuras fortes do futebol.

Por outro lado, o argumento podia ter sido melhor trabalhado. A timeline tinha de ser cumprida – é um facto -, mas o encadeamento da própria narrativa que Frédéric Auburtin e Jean-Paul Delfino delinearam necessitava de mais contra-ataques para nos manter despertos. De relembrar, porém, que a imprensa noticiou recentemente que Blatter – o verdadeiro, em carne e osso – obrigou que o guião fosse mudado.

Apesar de não esconder aquilo que lhe dá má fama – os acordos de bastidores, o tráfico de influências, o jogo fora das quatro linhas – em United Passions, a FIFA mistura realmente a paixão e a união em volta de um desporto para camuflar os seus pontos fracos. A ideia que dá é que estes ‘messias’ do futebol ultrapassaram os obstáculos e os escândalos – tudo – para que o Campeonato Mundial (símbolo da união, em 1930, no Uruguai) se concretizasse.

United Passions

Cavalheiros, lembrem-se: estão a fazer história!”, ouve-se no filme. Uma história que teria sido melhor se fosse contada de forma independente e com os habituais interesses futebolísticos de parte. No entanto, uma vez que os portugueses são apaixonados pelo futebol, não se duvide de que Paixões Unidas vai ser um sucesso em Portugal. Um ponto para a FIFA, zero para o Cinema.

4/10

Ficha Técnica:

Título: United Passions

Realizador: Frédéric Auburtin

Argumento: Frédéric Auburtin e Jean-Paul Delfino

Elenco: Gérard DepardieuSam NeillTim Roth

Género: Desporto, Drama

Duração: 110 minutos

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