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De Breda para Lisboa: Hardwell amplifica ‘wegue’ português

“O melhor espectáculo desta tour até agora!”, foi assim que o DJ número um do mundo descreveu a noite de ontem perante os 18 mil fãs que rumaram ao MEO Arena. Numa mistura de sons mais mainstream com sons alternativos, Hardwell compôs um set de três horas e o público não arredou pé. Entre gritos, saltos, mãos no ar e repentina euforia, a jovem plateia não quis dizer o adeus ao holandês: wegue português ecoou. 

Oito da noite. No Parque das Nações torna-se uma aventura heróica passar o Vasco da Gama e prosseguir até ao MEO Arena. A confusão instalada não é ao acaso. O número um da música eletrónica vai subir ao palco e todos parecem querer estar na fila da frente. Após algum esforço, o Espalha-Factos consegue chegar à arena onde os sons eletrónicos se vão fazer ouvir.

No recinto estavam já os fãs portugueses mas não só: espanhóis, em grande número, alguns holandeses, suíços, e até um jovem com cabeça de cavalo, perfaziam o perfil do público. Mas também havia caras conhecidas do DJ de 25 anos: os pais do holandês, Kura – o DJ português mais promissor do momento, segundo Hardwell – e ainda Pete Tha Zouk.

Dannic

WARM-UP: DANNIC

Breda, cidade da Holanda, é uma máquina de fazer DJ’s: Tiesto é o nome mais sonante; Hardwell é uma flecha a subir mundo fora; Dannic faz parte da nova geração que está a crescer na proliferação da música eletrónica. Conterrâneo do artista principal, o outrora chamado DJ Funkadelic  teve como missão aquecer uma ávida multidão. Após a conferência de imprensa com Hardwell, o Espalha-Factos foi ver como se estava a comportar o 74º melhor DJ do mundo.

A abusar do instrumental e menosprezando os vocais, Dannic não convenceu a audiência exceto em um ou outro momento. De Heads Will Roll (Yeah Yeah Yeahs) até We Own The Night (Maroon 5), o DJ esteve aquém do esperado, não conseguindo agarrar o público. No final ainda tentou redimir-se com os hits Feel So Close (Calvin Harris) e Like Home (Nicky Romero & Nervo), mas o público parecia já estar impaciente com a espera por Hardwell.

23h21. Dannic saí do palco, as luzes apagam e os gritos da multidão multiplicam-se por toda a arena. Quase como um gesto involuntário, o público retira as máquinas fotográficas do bolso e ilumina a escuridão em espera. Hardwell está a prestes a chegar.

I AM HARDWELL

23h30. Pontual: não foram precisos muitos minutos para preparar a entrada do DJ número um. As cortinas caem, os ecrãs e as luzes ficam ao descoberto, e o vídeo começa. A habitual voz masculina introduz: “Ladies and Gentleman, welcome!” Agachado na parte de trás da bancada, Hardwell espera pelo momento certo. A música começa, o suspense aumenta e a drop chega: altura para Hardwell se mostrar ao público que fica ao rubro. O DJ surge com uma camisola branca, às riscas verdes e vermelhas, e com Hardwell escrito atrás, oferecida pela Mega Hits. O holandês prometeu usá-la em palco e cumpriu.

Os decíbeis aumentam no MEO Arena, reflexo de uma espera ansiosa. O holandês não perde tempo e dirige-se logo aos seus fãs num amplificado “What’s up Lisboa? Are you ready?” O público responde sem dúvidas: estão mais do que preparados, rodeados de um enorme hype. Uma das primeiras músicas a fazer as plateias cantar tem origem nos One RepublicIf I Lose Myself. Cada vez mais um hino da música eletrónica deste ano, a canção foi entoada por jovens e pelos também presentes adultos, sem exceção: “If I lose myself tonight / It’ll be you and I…”

A ausência de efeitos especiais em Dannic contrasta com a grandiosidade preparada para Hardwell. Vários ecrãs atrás da bancada de DJ, pirotecnia, luzes e led’s impróprios para pessoas sensíveis dominaram a atmosfera e ajudaram a construir um ambiente de festa e alegria. Também a contribuir para a aura que pairava no pavilhão esteve a alternância entre sons big room e músicas mais comerciais. What It Feels Like (Armin van Buuren), Live For The Night (Zeed ft. Hayley Williams), I Love It (Icona Pop), Clarity (Zedd ft. Foxes) e Sweet Nothing (Florence and The Machine) receberam uma nova roupagem, através da mestria de mesa de Hardwell, e levaram o público à euforia expressada nos saltos ininterruptos.

Hardwell N#1 DO MUNDO

GO HARDWELL OR GO HOME

Mas os originais de Hardwell não faltaram. Aliás, foram os grandes momentos da noite. Sempre que se ouviam os instrumentais de Apollo, Spaceman, Never Say Goodbye ou da recente Dare You, a multidão automaticamente gritava infinitamente. Pareciam querer dizer que “we are the lucky ones“, tal como Apollo sugere.

Os momentos pesados, ou as grandes malhas – como se costuma dizer -, vieram sem anúncio. Eat, Sleep, Rave, Repeat (Fatboy Slim & Riva Starr ft. Beardyman) rompeu pela arena e não deixou ninguém indiferente. Aliás, este seria com certeza o hino de muitos dos presentes naquele pavilhão. Tempo ainda para o maior hit do ano no mundo EDM (Electronic Dance Music), Animals, da autoria do novato Martin Garrix. A batida foi logo reconhecida por todos e não tardou até a versão de Hardwell aumentar o suor dos animais no público (não se esqueçam da cabeça de cavalo). Também a música que junta Hardwell a Showtek, That’s How We Do, fez vibrar a arena ultrapassando qualquer escala de Richter.

I Could Be The One (Nicky Romero) lançou mais uma onda de cânticos e quase-moche, mas foi Alive (Empire Of The Sun) que pôs a nu a alegria pura ali vivida (e também umas quantas t-shirts devem ter voado) – “loving’ every minute cause you make me feel so alive” é uma excelente descrição do que a música eletrónica pode fazer. Tempo ainda para lançar mais uns hits deste ano: Summertime Sadness (Lana Del Rey), Holy Grail (Jay Z ft. Justin Timberlake), Wake Me Up (Avicii) e Can’t Hold Us (Macklemore & Ryan Lewis) fizeram as delícias do público mais mainstream.

A pesada Just Get Loose (When The Beat Drops) com um toque de dubstep e a catchy Life Is Calling eram o prenúncio do fim. Após três horas de espectáculo, Hardwell tinha de dizer adeus a Portugal. Mas a grande surpresa ainda estava para chegar…

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Esta foi a noite H de Robbert Van de Corput, o nome verdadeiro do holandês. O maior espectáculo de sempre em Portugal de um único DJ acabou com uma homenagem à música portuguesa. Hardwell regressa ao palco para amplificar a já super conhecida Kalemba (Wegue Wegue) dos Buraka Som Sistema. Com a bandeira portuguesa às costas, o DJ passeou pelo palco, agradeceu inúmeras vezes aos seus fãs e não deixou ninguém indiferente com a música escolhida para finalizar o seu já épico set. A derradeira demonstração de humildade do DJ número um mais novo de sempre.

Fotos:  @Diogo Pereira

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