17

The Bling Ring: a obsessão pela ‘celebrity culture’

Em 2010, a revista Vanity Fair publicou um artigo de Nancy Jo Sales intitulado The Suspects Wore Louboutins, sobre um gangue de adolescentes que se dedicava a assaltar casas de celebridades. Em Bling Ring: O Gangue de Hollywood – que passou este ano pela secção Un Certain Regard em Cannes Sofia Coppola mostra a forma como se baseou em eventos reais para retratar os passos do grupo.

É quando Marc (Israel Broussard) muda para um novo liceu, em Los Angeles, que conhece Rebecca (Katie Chang). Com problemas de ansiedade e auto estima, é quase deslumbrado e cria laços com a rapariga. Pertencentes ao círculo social de Rebecca, entram na trama Chloe (Claire Julien), Nicki (Emma Watson) e Sam (Taissa Farmiga). Entre fumar erva na praia e festas em discotecas frequentadas por celebridades, Rebecca lança a ideia (o tédio dos miúdos ricos) de fazerem uma visita a casa de uma celebridade. O processo não podia ser mais simples: a morada é pesquisada no Google, os dois invadem a primeira casa, a de Paris Hilton, considerada suficientemente burra para deixar uma porta ou janela aberta e, imagine-se, a chave debaixo do tapete. Nesta primeira invasão, o desconforto de Marc é sobreposto pelo que sente por Rebecca, que continua a desejar objectos de marcas de luxo e a alimentar a sua obsessão por celebridades.

Apesar de serem ricos, isso parece não ser suficiente: os objectos de desejo são todos de marcas como Chanel, Louis Vuitton, Prada e Rolex, e surgem à frente dos seus olhos em sites como o TMZ, onde Rebecca e Marc podiam ainda ver onde andavam as celebridades. As proporções que os roubos atingem são interessantes: é rápida a passagem de um passatempo motivado pelo tédio de miúdos ricos a um grupo de crime organizado.

O fim parece chegar quando Lindsay Lohan – a derradeira celebridade para Rebecca – divulga os videos de vigilância da sua casa, ao mesmo tempo que outras celebridades o fazem, deixando a descoberto a identidade dos membros do gangue. Com fotografias nas redes sociais e relatos espalhados pelos seus pares, facilmente a polícia põe termo à brincadeira.

Porém, se de uma forma geral deveria haver consequências – e Nicki é “a firm believer in karma” -, aqui a consequência maior parece ser mesmo a fama, através precisamente da infâmia.

No artigo da Vanity Fair, Alexis, a Nicki de Emma Watson tem destaque. No filme, o mesmo acontece, principalmente graças ao desempenho da actriz. Já em As Vantagens de Ser Invísivel, Emma Watson tinha aproveitado bem a oportunidade para se descolar de Hermione (Harry Potter) e aqui volta a reforçar esse estatuto, ao mesmo tempo que explora a sua sensualidade – com dança no varão incluída. E vale totalmente a pena ouvi-la dizer “I wanna rob”.

Um novo lado de Emma Watson

A banda sonora acompanha harmoniosamente a história, desde o início ao som de Sleigh Bells, passando por nomes como Kanye West, Chris Brown, Azealia Banks e M.I.A.

Já em filmes anteriores, como SomewhereSofia Coppola tinha esboçado ideias sobre este tipo de tédio. Aqui, o seu interesse pela cultura das celebridades é compreensível, mas o resultado final nem tanto. Para além do retrato social de jovens narcisistas na era das redes sociais, há ao mesmo tempo uma crítica ao materialismo e a uma cultura de adoração e obsessão pelas celebridades, o que poderia ser melhor explorado. Todo o filme é feito forma muito episódica, o que, com um pouco de esforço, poderia ter tido um resultado mais interessante, não deixando no entanto de merecer atenção.

7.5/10

Ficha Técnica:

Título Original: The Bling Ring

Realizadora: Sofia Coppola

Argumento: Sofia Coppola, com base no artigo de Nancy Jo Sales

Elenco: Katie Chang, Israel Broussard, Emma Watson, Claire JulienTaissa Farmiga e Leslie Mann

Género: Drama

Duração: 90 minutos

*Por opção da autora, este artigo foi escrito segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945

Mais Artigos
Maria Botelho Moniz
‘Você na TV!’ regista maior share do ano com Maria Botelho Moniz