Quem diria que uma história em torno do quão rápido se datilografa numa máquina de escrever se poderia tornar num filme. É verdade, hoje,  dia 27 de junho, voltamos ao mundo das velhas máquinas de escrever, dos carros antigos, das senhoras de saia comprida e dos senhores empresários engravatados (este último porém ainda continuamos a ver no nosso tempo). A Datilógrafa, de Régis Roinsard, é isso mesmo, um regresso ao passado com uma história muito peculiar.

Estamos em plena década de 50 e Rose Pamphyle, uma jovem de 21 anos, continua na casa do seu pai e está prestes a casar com o filho de um gerente de uma oficina. Como muitas mulheres naquele tempo, Rose poderia vergar-se à sua condição feminina e ser apenas uma excelente dona de casa, tal como a sociedade o esperava, mas ela teve outros planos muito mais ambiciosos.

Rose saiu de casa à procura de um emprego muito na moda na altura: secretária. Para cumprir o sonho da sua vida, ela candidata-se a essa posição no escritório da empresa de Louis. Mesmo tendo péssima habilidade para exercer as suas funções, o homem apercebe-se da velocidade com a qual Rose datilografa. Logo o espírito de competição desperta em Louis, “Será que ela consegue ganhar o concurso e tornar-se na maior datilógrafa do país?”.

Este filme encaixa-se à medida nas obras cinematográficas dos anos 50, pois recria o seu ambiente, o cenário, os figurinos, as personagens e até a divisão de géneros. O preconceito entre homens e mulheres é muito bem retratado no filme. Os homens têm os cargos de poder e as mulheres são as assistentes ou felizes donas de casa, que esperam pelos seus maridos com o jantar preparado.

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Apesar de ter estes temas bem imprimidos na sua tela, a história do filme é muito mais interessante do que isso. A trama convida o espectador a entrar numa competição nunca antes vista: a datilografia mais rápida de sempre. A originalidade do guião é o fator que mais distingue este filme cómico.

O elenco também não fica atrás. A atriz Déborah François tem o talento e o engenho de interpretar a doce e desastrada Rose, que possui uma habilidade muito rara. A sua postura e parceria com o colega de cena Romain Duris é contagiante e convincente, ao ponto da audiência se rir com o jeito, por vezes desajeitado e inesperado, com que a sua relação evolui ao longo do filme.

Infelizmente, a longa-metragem peca pela sua previsibilidade no final da história e a pouca ação. Para além da competição de datilografia, que poderá ser a porta de entrada para o emprego de secretária, não existem muitas mais peripécias que entusiasmem o público e a história de amor entre Rose e Louis também é esperada, não surpreendendo minimamente.

A Datilógrafa é mais um ganho na comédia francesa, que cada vez mais se destaca no mundo cinematográfico. De que é que estás à espera? Se quiseres uma tarde de boa disposição, leva a tua família para ver este filme! Os risos não vão faltar.

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7/10

Ficha Técnica:

Título Original: Populaire

Realizado por: Régis Roinsard

Argumento: Régis Roinsard, Daniel Presley, Romain Compingt

Elenco: Romain Duris, Déborah François, Bérénice Bejo, Shaun Benson

Género: Comédia

Duração: 111 minutos