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Vindo de Los Angeles, Nosaj Thing é o nome do projecto de Electronica do produtor Jason Chung, jovem norte-americano que ganhou popularidade ao trabalhar com artistas como Kendrick Lamar e Kid Cudi. Depois da estreia nos discos em 2009, com o muito aclamado Drift, Chung decidiu lançar no início deste ano o seu segundo álbum de originais. Intitulado de Home, o segundo trabalho de Nosaj Thing está nas lojas desde 22 de Janeiro e é dele que vamos hoje falar.

Tentar resumir a preenchida carreira de Nosaj Thing em poucas linhas é, de facto, uma tarefa inglória. Desde trabalho de produção até remixes de canções de artistas bastante populares (como Radiohead ou The xx), passando até pela criação duma label própria, a Timetable, para dar uma casa discográfica a promissores artistas de música electrónica, há muito pouco que este norte-americano de descendência asiática não tenha ainda feito.

Por isso mesmo, é de admirar que tenham demorado 4 anos a Chung para lançar um sucessor de Drift, disco que lhe garantiu uma grande consideração por parte da crítica especializada e dos fãs de música electrónica experimental. E apesar de não ter ficado completamente abasbacado com o seu álbum de estreia, a verdade é que o retorno de Nosaj Thing aos LP’s me pareceu algo bastante promissor. Após ouvir o registo, uma certeza ficou bem patente na minha cabeça: apesar de não ser perfeito, Home é uma bela obra que demonstra bem o amadurecimento de Jason Chung nos últimos 4 anos.

Apesar de manter, duma forma geral, os mesmos traços sonoros de Drift – isto é, a Electronica cheia de influências do Hip-Hop instrumental, de pendor mais experimental (lembrando a espaços Flying Lotus), e com uma certa cadência para o Glitch Hop de nomes como Shlomo –, Home apresenta-se como um registo muito mais introspectivo e downtempo que o seu antecessor. Ainda que não descure por completo as pistas de dança, a verdade é que o segundo disco de Nosaj Thing acaba por ter um apelo muito mais cerebral do que físico, fruto da delicadeza que o envolve e que faz passar ao longo dos seus 36 minutos.

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Quanto à produção, vemos neste disco Nosaj Thing a apresentar-se como um técnico sonoro incrivelmente proficiente que não dá espaço para erros e que consegue, de forma perfeita, criar uma estética rica em tons frios e desarmantes. Explorando o silêncio duma maneira exímia, trabalhando-o como um instrumento quase tão fulcral quanto os sintetizadores e os sequenciadores de drum loops, Home estabelece um ambiente que é, simultaneamente, intimista e desolador.

Outro dos destaques deste segundo disco de Jason Chung e que acaba por ser uma das grandes inovações em relação a Drift é a introdução de vocais; com as participações de Kazu Makino (dos Blonde Redhead) e de Toro y Moi, Home quebra a linha puramente instrumental de Nosaj Thing e traz alguma frescura à sua sonoridade. Contudo, apesar de todos os seus traços positivos, o segundo LP de Nosaj Thing não consegue deixar de fazer passar, nos momentos mais fracos, alguma monotonia e aborrecimento, que o afastam da perfeição.

Quanto a faixas individuais, a etérea Eclipse/Blue, a hipnótica Glue, a penetrante Tell, a vibrante Snap e a poderosa Light #3 são, na minha opinião, as peças que se destacam pela positivam e que ajudam a dar mais brilho a Home. Pela negativa, devo escolher as insípidas Safe, Distance, Phase III como as músicas de que menos gostei no álbum e que cortam, a meu ver, o seu ritmo.

Concluindo, ao segundo LP o norte-americano Nosaj Thing reafirma-se como uma das promessas mais seguras da música electrónica experimental, com uma obra que demonstra grande maturidade e confiança. Rico em texturas frias e apostando nas sombras, Home consegue superar todas as expectativas e suplanta, em certa medida, o seu antecessor. Apesar de não ser nenhuma obra-prima e das suas (raras) falhas não o deixaram voar mais alto, uma coisa é certa: a forma subtil, bela e delicada com que se impõe faz com que Home seja, para mim, o disco de afirmação de Nosaj Thing.

Nota final: 8.5/10

*Este artigo foi escrito, por opção do autor, segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945