Célia Loureiro

Célia Loureiro: “A juventude não fica para sempre e o livro sim”

Com dois livros editados pela Alfarroba, Célia Correia Loureiro é uma das jovens escritoras portuguesas com oportunidade de apresentar a obra ao público português e prepara nesta momento uma saga de quatro romances históricos. Nesta entrevista ao Espalha-Factos fala sobre como conseguiu ser publicada num mercado literário português com interesses capitalistas, sobre os seus livros, sobre os leitores e os futuros projetos.

“Aperfeiçoem-se, por muito que publicar novo possa ter impacto, a juventude não fica para sempre e o livro sim”, diz a escritora a todas as pessoas com o desejo de ter um livro publicado. Antes de publicar Demência e O Funeral da Nossa Mãe, em 2011 e 2012, respetivamente, Célia Correia Loureiro contou ao Espalha-Factos que teve “muitas histórias que ficaram na gaveta antes de publicar o ‘Demência’ e, ainda assim, não o considero perfeito”. Disse também que deixou “dezenas de pequenas histórias entre as 40-200 páginas, compilações de poemas e textos e até um ‘diário’ de amores inconfessados” dentro da gaveta e não coloca a impossibilidade de produzir frutos com estes rascunhos, chamados de “ideia para romance”.

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Licenciada em Informação Turística pela Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril, mas com uma vocação para a escrita desde cedo, a escritora conta que desde sempre gostou de “evadir para outros mundos”. A paixão por livros e o lado para inventar enredos não são novos.

As histórias de Célia Loureiro levam o leitor à profundidade das condições humanas. Demência traz Olímpia Vieira, mulher com sinais de demência a roubarem-lhe a memória, a nora viúva, Letícia, absolvida pela justiça de um crime que cometeu no passado e as três órfãs em O Funeral da Nossa Mãe que se reúnem depois do suicídio da mãe, Carolina Alves. A publicação destas duas obras pela Alfarroba “surgiu depois de muito procurar”, contou a escritora. A editora compreendeu a publicação “não era um acto isolado”, que Célia queria fazer chegar a sua obra ao máximo número possível de leitores. “A publicação em si é algo de trabalhoso”, diz ainda. “Envolve revisões, dúvidas, inseguranças e vontade de revirar o livro todo do avesso”.

“Apaixono-me com facilidade pelo novo livro que ando a escrever”, responde-nos sobre o livro que mais lhe deu gosto em escrever. “Sinto que vivo realmente a história”, exclama. Afirma que o novo projeto, um dos livros de uma saga de quatro volumes, é a história que mais gosto lhe deu escrever. O romance histórico intitulado 1809 trata-se do segundo volume da Trilogia do Vinho e encontra-se de tal modo “apaixonada que me será difícil encontrar outras personagens que me dêem tanto prazer a desenvolver, que se reinventem como estas e que ultrapassem situações críticas do modo como estas ultrapassam”. A pesquisa envolvida, a duração do projeto, a revisão profunda e os pormenores da História de Portugal são alguns dos pormenores que Célia enumera para explicar a paixão pelo novo projeto. O primeiro volume da saga, 1755 – O Pai do Barão, ainda não tem data de publicação.

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Sobre o atual estado do mercado literário português, Célia Correia diz que é triste “que as editoras pratiquem uma postura capitalista e pouco interessada no conteúdo que comercializam” e “é tudo despejado cá para fora conforme a sua capacidade de ser promovido”. Os prejudicados são os leitores porque “nem sempre o livro é aceite em grandes superfícies comerciais e nem sempre está disponível em todas as bancas”, diz a escritora. No entanto, descobriu “leitores de nichos maravilhosos” que a têm ajudado a crescer como profissional da literatura e a descobrir outros livros, fora do circuito dos best-sellers.

A artista sente-se feliz com os leitores das suas obras e justifica este sentimento com os recursos que as pessoas dispensam com ela. “A adquirir-me, a ler-me, a dar-me conselhos e a acompanhar-me”. Aconselha ainda a futuros escritores que “convém que se faça algo que não vos embarace e do qual se orgulhem pela vida fora, quer continuem ou não a escrever”. E diz ainda a todos que “Repensem bem, revejam melhor e batam a todas as portas”.

Neste momento, Célia encontra-se a escrever 1832 – Uma Mulher Respeitável, título provisório do romance histórico da saga que se encontra a preparar, uma história de uma criança que se perdeu “às mãos dos franceses”. Pretende escrever também um romance mais leve para “aligeirar a escrita”, com cerca de 200 páginas.

Podes ver aqui a página oficial de Célia Correia Loureiro no Facebook.

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